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Economia

A crise não acabou

Para brasileiros, crise financeira ainda não acabou. Segundo Datafolha, 88% das pessoas afirmam que o País não superou a retração.

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A maioria dos brasileiros acredita que a crise não acabou no País. Segundo pesquisa Datafolha, 88% das pessoas afirmam que o Brasil não superou a turbulência econômica.
Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, diz que a pesquisa revela considerável homogeneidade na percepção sobre a crise entre entrevistados de diferentes idades, graus de escolaridade e regiões, embora as pessoas com maior renda familiar estejam mais confiantes de que a retração tenha acabado.

“O brasileiro está bem informado. Todos têm consciência de que existe uma crise em curso e de que ela afeta a vida dos brasileiros.” Paulino destaca que o percentual dos que afirmam que a crise não acabou no País é próximo ao dos que dizem que, no resto do mundo, ela ainda não passou.

“Isso mostra que as pessoas têm consciência de que a crise é global. E pode explicar o fato de que a avaliação do presidente Lula está igual à de antes da crise”, afirma o diretor.

Segundo o levantamento mais recente do Datafolha, 67% dos brasileiros avaliam o governo Lula como ótimo ou bom. Na sondagem feita em maio, a resposta somava 69% do total. A variação está dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O diretor da consultoria Mixxer, especializada em bens de consumo e em varejo, Eugenio Foganholo, acrescenta que, embora a percepção sobre a continuidade da crise seja generalizada, ela não mudou radicalmente os hábitos de consumo. “A percepção da crise está ligada ao que a pessoa vê, ouve e lê, mas, claramente, não é o que ela vive, pelo menos não em relação ao consumo.”

Mais pessimistas – Os brasileiros mais pessimistas são os que têm menor renda. Só 8% das pessoas cujas famílias recebem até dois salários mínimos afirmam que a crise terminou. O percentual salta para 19% entre os entrevistados com renda familiar superior a dez salários mínimos.

Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Austin Rating, argumenta que pessoas com maior renda costumam manter aplicações financeiras e têm acesso a empréstimos com mais facilidade, o que as torna mais sensíveis à queda dos juros e ao retorno gradual da disponibilidade de crédito. “A percepção sobre a crise depende da maneira como as pessoas são afetadas por ela”, afirma Agostini.

O acesso mais amplo à informação também influencia a resposta dessas pessoas, segundo o especialista, que lembra que os dados mais recentes sobre a economia começam a mostrar a recuperação do País.

Agostini pondera, entretanto, que o fato de alguns setores da economia ainda amargarem resultados negativos motiva os brasileiros a apontar a continuidade da crise. No entanto, para o analista, cresce o número de empresários, analistas econômicos e consumidores que acreditam que a pior fase da crise já passou.

O Datafolha ouviu 4.100 brasileiros com 16 anos ou mais. A pesquisa foi feita entre os dias 11 e 13 de agosto em 171 municípios de todas as regiões.

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