Retaliação brasileira ao algodão norte-americano poderá sair em dois meses, diz Abrapa. Grupo técnico estuda os produtos que sofrerão a retaliação tarifária determinada pela OMC.
Contenda do algodão
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) apresentará, em dois meses, a retaliação que o País aplicará contra os Estados Unidos por causa de subsídios ao setor de algodão, disse ontem (21/09) o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha. Ele se reuniu com a secretária executiva da Camex, Lytha Spíndola, para discutir o assunto.
Um grupo técnico está estudando os produtos americanos que sofrerão a retaliação tarifária determinada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), no último dia 31 de agosto, no valor de até U$ 800 milhões. Cunha explicou que os técnicos estão preocupados em não gerar mais custos aos produtores brasileiros, taxando, por exemplo, fertilizantes e máquinas agrícolas.
Outra questão que aflige o presidente da Abrapa é a possibilidade de que o governo, em vez de retaliar os americanos, com tarifas às importações, negocie outra compensação qualquer, como a abertura de mercados a outro produto, deixando o algodão de lado.
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“Isso é inaceitável. Não podemos perder de vista o objetivo principal que é a redução de subsídios. Para que haja alguma movimentação no Congresso americano para um estudo de sua lei agrícola, é preciso que haja pressão para isso, e o mecanismo legal que temos é exatamente a retaliação”, afirmou. Cunha acredita que o preço do algodão no mercado internacional pode aumentar até 20%, caso o governo dos Estados Unidos deixe de subsidiar seus produtores.
Atualmente, os estoques mundiais de algodão em pluma estão muito altos, fazendo com que os preços fiquem muito baixos, e outros países produtores também subsidiam o produto, uma política que pode ser revista, segundo Cunha, a partir da decisão da OMC e da forma como o Brasil aplicará a retaliação. Caso o governo tome a decisão pela compensação, o presidente da Abrapa defende que ela venha para o setor de algodão.
“Se não temos como competir com os americanos em termos de subsídios, que tenhamos a condição de competir em termos da mesma capacitação no setor produtivo, e é isso que esperamos do governo”, disse, apontando as dificuldades do setor de algodão em tecnologia, defesa vegetal, logística e promoção e marketing do produto nacional.





















