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Máquinas agrícolas

Crise já leva a aluguel de máquinas

Setor de máquinas agrícolas já vê iniciativas de aluguel de tratores e colheitadeiras como forma de obtenção de receita adicional.

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Ainda às voltas com os reflexos da crise econômica, o setor de máquinas agrícolas já vê iniciativas de aluguel de tratores e colheitadeiras como forma de obtenção de receita adicional. A AGCO, fabricante das marcas Massey Ferguson e Valtra, deu início a um projeto-piloto de aluguel de máquinas com sete revendas brasileiras, mas a companhia pretende disseminar a estratégia em toda a América do Sul ainda neste ano.

A decisão de encabeçar um projeto de aluguel de máquinas tem relação direta com os efeitos da crise econômica sobre o mercado. “É uma alternativa extra de receita”, afirma André Carioba, vice-presidente sênior da companhia para a América do Sul.

O aluguel de máquinas agrícolas, pouco usual no Brasil, limita-se a iniciativas isoladas de algumas revendas ou de frotistas que alugam seu equipamento a produtores de sua região. A AGCO, com isso, será a primeira fabricante a encabeçar uma iniciativa do gênero no país. Consultadas pelo Valor, as concorrentes CNH, John Deere e Agrale informaram não dispor de programas do gênero.

A meta da AGCO é de oferecer aluguel de máquinas em todas as cerca de 600 revendas que a companhia tem na América do Sul. Carioba estima que, em dois a três anos, a ferramenta poderá representar de 10% a 15% do faturamento da empresa no país. “Mas estamos apenas começando. Ainda vamos ver como o trabalho vai se desenrolar”, disse.

As fabricantes estão a frente de programas de aluguel de máquinas – ou, no mínimo, são entusiastas deles – em outros países. A ferramenta é habitual, por exemplo, na Argentina. No país, a figura do “contratista” é conhecida na agricultura. Ele é dono de frota e percorre o país com tratores e colheitadeiras, alugados de acordo com o desenrolar dos trabalhos nas lavouras. A colheita de grãos começa no norte do país e depois avança no sul. É essa a ordem das regiões do país visitadas pelo contratista.

O mercado de máquinas agrícolas foi abatido pela crise econômica, mas não apenas por ela – e é por isso que o setor ainda evita aderir ao mantra “o pior da crise já passou”. A quebra da safra argentina, causada pela pior estiagem registrada no país em pelo menos 50 anos, afetou a indústria no mesmo momento em que se desenrolava a crise global. A Argentina é o principal destino das exportações brasileiras de máquinas agrícolas.

No acumulado de janeiro a setembro, os embarques totais do segmento foram de 10,3 mil unidades, número 54,9% menor que o do mesmo período de 2008, segundo as estatísticas apresentadas ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em relação a setembro de 2008, a queda foi de 50,8%, para 1,2 mil unidades, mas, na comparação com agosto, os embarques cresceram 41,3%.

As vendas do setor no mercado interno caíram 6,4% no acumulado de janeiro a setembro, para 38,3 mil unidades, mas o declínio tem perdido força nos últimos meses. As 5,4 mil unidades vendidas em setembro representaram um crescimento de 7,9% em relação ao mês anterior e praticamente igualaram o desempenho de setembro de 2008.

“Os programas governamentais ajudaram muito o setor a passar pela crise”, disse Martin Richenhagen, presidente mundial da AGCO. Os governos federal, paulista e paranaense lançaram em 2008 programas de financiamento subsidiado para a compra de tratores de baixa potência, voltados a pequenos agricultores. O setor credita às iniciativas o fato de o ritmo das atividades não ter caído ainda mais durante a crise.

A produção total de máquinas no intervalo de janeiro a setembro foi de 45,8 mil unidades, um decréscimo de 27,8% em relação ao mesmo período de 2008, de acordo os dados da Anfavea.

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