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Exportação

Educação ‘tipo exportação’

Países em desenvolvimento devem agregar valor às exportações. Futuro pertence aos que investirem em educação, pesquisa e tecnologia.

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Os países em desenvolvimento devem ampliar e agregar valor as suas exportações para não ter seu comércio exterior dependendo única e exclusivamente de vendas de commodities. O futuro pertence aos países que investirem em educação, pesquisa e tecnologia.

Esse foi o recado do presidente do grupo Positivo, Oriovisto Guimarães, em palestra proferida para dirigentes cooperativistas do Paraná. O grupo Positivo é a maior corporação do segmento de educação e tecnologia do País. “Não dá só para exportar commodities. Temos que exportar também inteligência e tecnologia. Isso é o que faz o País crescer, é o que promove o desenvolvimento”, afirmou.

Ele contou que o sucesso do grupo Positivo, presente hoje em todo o País com 3.500 escolas e 500 mil alunos, foi resultado de investimentos em pessoas, pesquisa e tecnologia.

Já o Brasil, apesar do crescimento econômico verificado nos últimos anos, continua investindo muito pouco em ciência e tecnologia: 1,13 % do PIB (Produto Interno Bruto) ou US$ 22,8 bilhões, enquanto os Estados Unidos destinam 2,68% de seu PIB ao investimentos em ciência e tecnologia. O Japão, 3,44% e a Alemanha 2,54%.

Extrativismo

Guimarães entende que o Brasil tem uma história de extrativismo, e também de exportar produtos primários e commodities. Como exemplo, o presidente do grupo Positivo lembrou que, no ano passado, as commodities representaram 60% das vendas externas do País e os manufaturados 40%.

“Precisamos mudar isso. Ou nós investimos nas pessoas, na educação, em pesquisa e tecnologia, ou não sei se vamos ser a quinta economia mundial, conforme anunciaram recentemente, quando o Brasil venceu a corrida pelas Olimpíadas de 2016”, disse.

Exemplos

Citando dados do comércio exterior brasileiro, Guimarães mostrou o quanto o País deixa de ganhar quando exporta matéria-prima, sem valor agregado. “Em 2007, o custo por tonelada importada da China foi de US$ 1.585,25, enquanto que, no mesmo período, o custo por tonelada exportada para a China foi de US$ 86,17. Viram a diferença na conta? Temos volume, mas nem tanto em dinheiro”, afirmou.

De acordo com Guimarães, um bom exemplo brasileiro do quanto o País ganha quando transforma matéria-prima em produto pode ser visto com a criação da Embraer. “A Embraer foi criada com um capital inicial de US$ 5 milhões. Atualmente, o lucro da empresa é de US$ 306 milhões por ano, e é líder mundial na fabricação de jatos de até 120 assentos”, contou Guimarães.

Combater e erradicar

“O protecionismo é um veneno e, como tal, deve ser combatido e erradicado”, afirmou ontem Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frangos (ABEF), durante a III Rodada de Negócios União Europeia-Brasil realizado em Estocolomo, na Suécia.

Depois de fazer um relato detalhado dos negócios bilaterais entre os dois continentes, Turra fez duras críticas às medidas de defesa da concorrência adotada por vários países da comunidade européia contra produtos brasileiros. O setor exportador de frangos tem sido um dos mais atingidos pelas barreiras internacionais.

Descendentes prejudicados

“Estão ampliando ainda mais o protecionismo contra o frango brasileiro, através de medidas como aumento do número de produtos atingidos por cotas de exportação. Ao adotarem tais medidas, os países da União Européia estão contribuindo para prejudicar justamente descendentes de europeus, que têm uma enorme presença na produção e exportação avícola no Brasil”, frisou Turra.

Competitividade

Segundo a Agência CNI, Turra defendeu o setor, destacando a qualidade e segurança da produção brasileira de alimentos. Num documento disponibilizado durante o evento, Turra procurou mostrar que o Brasil alcançou elevada competitividade na produção de carne de frango, com alta qualidade, atendendo todas as exigências sanitárias internacionais e mostrando que está pronto para a crescente demanda global por proteína animal.

Liderança

Hoje a produção nacional de frangos é vendida em 153 países de todo o mundo, representando 41% das exportações de carne brasileira. Segundo Francisco Turra, o País é o líder do setor desde 2004, gerando, diretamente, 4,5 milhões de empregos diretos e indiretos. “A média de crescimento anual de nossas exportações alcança 15% desde 2000, apesar da crise econômica internacional”, disse o presidente da ABEF.

Ladeira abaixo

No primeiro semestre do ano, as receitas de exportação dos países mais pobres do mundo registraram uma queda de 50% em relação ao mesmo período do ano passado. É o que revela um levantamento do Centro para o Comércio Internacional da Organização das Nações Unidas (ONU). Esses dados, de acordo com o Centro, demonstra, claramente, que as nações em desenvolvimento são as que mais sofrem com a crise econômica mundial.

O estudo revela que, no período analisado, as receitas de exportações dos países ricos sofreram uma redução de 32%. Em termos absolutos, a maior queda foi registrada na África Subsaariana, que viu suas exportações para os principais mercados do mundo sofrer um declínio de 48,6%, comparado ao primeiro semestre de 2008.

Diversificação verde-amarela

O economista da Divisão África da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, Rolf Traeger, disse à Rádio ONU, de Genebra, que a diversificação da economia brasileira ajudou o País a resistir e sair da crise.

“O Brasil exporta tanto produtos básicos não processados, como minério de ferro, café quanto produtos manufaturados. Então, o impacto da crise mundial no Brasil não foi tão grave quanto sobre os países mais pobres pelo fato do Brasil ter uma estrutura de produção e de exportações mais diversificada do que os países menos avançados”, afirmou.

O comunicado indica que as esperanças de que economias emergentes, como o Brasil e a China, iriam absorver algumas das exportações de países pobres, não foram concretizadas.

Por Joel dos Santos Guimarães

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