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Economia

Ruralista quer renegociação

Levantamento mostra valor da produção abaixo de R$ 160 bilhões. Renda cai e ruralista já defende nova renegociação de dívidas.

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Um velho fantasma voltou a assombrar parte do setor rural. A colheita recorde da safra 2009/2001, encerrada em junho, reforçou tendência de retração na renda bruta do campo e já anima ruralistas a pressionar o governo por uma nova rodada de renegociação das dívidas do setor.

Um novo levantamento conjunto do IBGE e do Ministério da Agricultura, com cotações da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Esalq-USP, apontou ontem que o Valor Bruto da Produção (VBP) das 20 principais lavouras deve ficar abaixo de R$ 160 bilhões, o que seria o pior resultado do campo desde 2007. No ano passado, o VBP fechou em R$ 161,34 bilhões e, no início deste ano, previa-se uma renda próxima de R$ 170 bilhões. O cálculo usa valores deflacionados pelo IGP-DI da FGV.

Há uma forte queda na renda dos grãos, sobretudo no Centro-Oeste do país. O VBP da soja recuou 2% até junho, perdendo quase R$ 900 milhões no período. Os produtores de milho perderam, até agora, R$ 1,9 bilhão com a retração de 11% no seu VBP. E os arrozeiros viram sua renda encolher 18,5% – ou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão. “A produção elevada da safra provocou uma queda nos preços dos grãos”, afirmou o coordenador-geral da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, José Garcia Gasques.

O levantamento do governo mostra que os preços reais da soja, principal produto do setor, recuaram 18% até abril na comparação com 2009. As cotações do milho encolheram 15% no período. O arroz também sofreu forte desvalorização de 9% e o feijão, de 17,5%. Fumo, laranja, mandioca, pimenta e uva também sofrem os efeitos financeiros adversos de redução da renda bruta.

A situação mais grave está em Mato Grosso, onde um antigo endividamento com programas de investimento acaba somado à redução de preços. O VBP das lavouras do Estado deve cair 18% neste ano, mostra a projeção oficial.

“Tem um ambiente para renegociar. Tivemos prejuízo por descasamento de câmbio e o governo deixou de interferir”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira. No Rio Grande do Sul, onde soja, milho e arroz são a base da economia rural, deve haver uma retração de 9% na renda das lavouras. “Alguns até já saíram da atividade. Mas a dívida continua”.

As reclamações de produtores já chegaram ao governo. O Ministério da Agricultura defende uma nova repactuação das dívidas, mas o Ministério da Fazenda resiste em reabrir qualquer debate sobre o tema. Diante do impasse, e às vésperas das eleições de outubro, a Comissão de Agricultura da Câmara convocou uma audiência para discutir a falta de garantia de renda da atividade no Brasil.

“É inaceitável, até o momento, que o setor rural não tenha nenhum mecanismo de proteção da renda da atividade agrícola”, diz o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). “É a atividade produtiva de maior risco, mas que apresenta excelentes resultados, os quais o governo se beneficia e, com frequência, se vangloria”. Caiado afirma que os prejuízos climáticos, cambiais e de crédito acabam no colo do produtor.

Na contramão da atual crise de renda que se desenha, cana-de-açúcar e café vivem um bom momento até aqui. Os preços do café subiram 5,6% e da cana, 9,4%. Os produtores de café tiveram um ganho bruto de 19% até agora – ou R$ 2,14 bilhões. O bom desempenho das cotações da cana levaram a um crescimento de 10,5% no VBP do segmento, o que significa um adicional de R$ 2,8 bilhões em relação ao registrado no ano passado. “Essas duas culturas evitaram que o baque da queda dos preços dos grãos fosse ainda maior no balanço geral”, afirma Gasques.

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