Com o turismo rural, no qual o visitante vivencia a lida de sitiantes, pequenas propriedades se tornam economicamente viáveis.
Agricultores por um dia
Sossego, contato com a natureza e com um tradicional modo de vida. É em busca disso que um número cada vez maior de pessoas opta por ir ao campo nas horas de lazer. Essa tendência tem feito o setor de turismo rural, ou agroturismo, crescer nos últimos anos. Hoje, somente no Estado de São Paulo, segundo estimativas do Instituto do Desenvolvimento do Turismo Rural (Idestur), são mais de 800 empreendimentos do gênero, entre hotéis, pousadas e fazendas abertas à visitação.
Além de ser boa opção para quem deseja fugir dos destinos mais badalados, é também ótima oportunidade de renda para quem vive no campo, principalmente para pequenos produtores, diz o presidente da Câmara Setorial de Lazer e Turismo no Meio Rural, órgão ligado à Secretaria de Agricultura de São Paulo, João Pacheco Neto.
Renda extra. “É cada vez mais complicado para o agricultor se sustentar só com a venda da produção”, expõe. “O turismo rural surge então como algo que permite agregar valor”, continua. “Em algumas cidades do interior paulista, como Itu e Ribeirão Preto, o turismo rural já tem grande representatividade no PIB regional, com propriedades que tiram até 50% de sua renda dessa atividade”, diz a presidente do Idestur, Andréia Roque.
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É o caso da Fazenda Santo Antônio da Boa Vista, que produz café em Itu. Há 15 anos, diante das dificuldades de manter os 20 hectares de cultivo somente com a venda do café, a proprietária, Isabel Arruda, decidiu abrir a propriedade para receber visitantes. “Foi difícil abrir minha casa para turistas, mas só a produção já não estava compensando.”
Na fazenda, os turistas conhecem da plantação à colheita, secagem no terreiro, lavagem, seleção dos grãos e torrefação. Após cumprir o circuito, há degustação do café moído na hora, vendido também a preços bem mais vantajosos do que os que seriam obtidos com a venda dos grãos. “E as pessoas saem daqui entendendo todo o processo que envolve um simples cafezinho.”
Apesar de a principal atividade da fazenda ainda ser o café, Isabel estima que 60% da renda já venha turismo rural. “Você passa a vida sem perceber a importância do que se faz no dia a dia da fazenda. E de repente chega alguém de fora disposto a pagar para compartilhar um pouco daquilo. É gratificante.”
Na Família Orgânica, grupo que reúne 100 produtores orgânicos em Itatiba, dentro do Circuito das Frutas, que compreende dez municípios na região de Campinas (SP), a mesma receita rende bons resultados, segundo um dos coordenadores do grupo, Dercílio Pupin.
Volta ao campo. Ali, vários produtores estão despertando para o turismo rural. “As pessoas tentam voltar para o campo, ainda que seja de uma forma diferente, para resgatar as origens e entender a rotina de uma fazenda”, diz Pupin.
O agrônomo Matias Wier Vargas, proprietário da Fazenda Pereiras, é um deles. Atualmente, além das visitas promovidas para mostrar como é a produção de alimentos orgânicos e as trilhas no meio da mata, a propriedade também foi preparada para hospedar até 40 pessoas. Vargas diz que atualmente o turismo rural já representa 30% de sua renda.
No município de Louveira, outra cidade do circuito das frutas, o turismo rural começa a dar seus primeiros passos com um grupo de produtores, a maioria deles viticultores, que estão estruturando suas propriedades para receber turistas interessados em colher uvas e em comprar o vinho produzido diretamente no sítio.
O dono do Sítio Santa Rita, que cultiva 4 hectares de uva niagara, Daniel Miqueletto, é um dos pioneiros. Desde 2003 ele abriu a propriedade para visitas. Apesar de estar investindo na ampliação da sua estrutura para poder produzir mais vinho, Miqueletto destaca que a principal vantagem do turismo rural é que, pela proposta de oferecer uma vivência de fazenda aos visitantes, não é necessário muito investimento em estrutura. “Você pode iniciar com o que você tem, fazendo apenas algumas adaptações.”





















