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Agroindústrias de SC deixariam Estado sem ferrovia

Oeste catarinense comemora avanço no projeto da “Ferrovia do Frango”. Para presidente da Acav, se o Estado não investir em infraestrutura, muitas agroindústrias seguirão para o Centro-Oeste.

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Há poucos dias, o Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit) publicou edital para contratação do projeto técnico da futura ferrovia leste-oeste, conhecida como “Ferrovia do frango” e “Ferrovia da integração”. A novidade animou os produtores de frango do oeste catarinense, que enfrentam alguns gargalos de infraestrutura. Para Clever Pirola Ávila, presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), a construção da ferrovia é crucial para barrar o movimento de migração das agroindústrias de Santa Catarina para o Centro-Oeste. “O oeste catarinense é uma região considerada o berço de muitas agroindústrias, mas enfrenta alguns gargalos logísticos”, explica. “Precisamos de muitos investimentos, do contrário, teremos que migrar para outras regiões do País, em busca de melhores condições de infraestrutura”. 

Ávila prevê impacto positivo da ferrovia na redução dos custos de exportação dos produtos acabados. Segundo ele, todo o transporte de produção avícola está baseado em rodovias, as quais estão congestionadas em Santa Catarina. “A BR 282 e a BR 470 são gargalos pelo subdimensionamento, congestionamento, morosidade, etc., que propiciam consumo excessivo de combustíveis, muitos acidentes, custos altos e um impacto ambiental desnecessário”. O presidente da Acav acredita que a nova ferrovia vai dar um caráter sustentável para a produção. “Com certeza o transporte ferroviário vai reduzir a emissão de CO2 e outros gases de efeito estufa na atmosfera, quando comparamos as emissões produzidas pelo transporte rodoviário”, pontua Ávila. “A empresa em que atuo, a Seara [do Grupo Marfrig], já faz o cálculo das emissões de gás carbônico. Com o uso da ferrovia, nossa emissão diminuirá consideravelmente”. 

Ávila também avalia que, atualmente, 27% da produção nacional de aves poderia circular nessa ferrovia. Por isso, a ferrovia do frango pode solucionar entraves, reduzindo custos e nos alinhando a competitividade necessária. Para ele, SC merece este investimento, que não só vai facilitar o transporte da produção avícola, como também vai facilitar a importação de grãos, tão importantes para a alimentação das aves. “Santa Catarina precisa importar grãos para abastecer sua produção. Milho e soja são os principais componentes da ração de frango. Logo, se trazermos grãos de nossos vizinhos, como Paraná, Paraguai e Argentina, nosso custo de produção também diminuiria. E se isso for feito via férrea, melhor será para o avicultor”, pontua. 

O presidente da Acav também lembra que boa parte do leito da ferrovia já existe, porém, está desativado. Logo, é necessária apenas uma recuperação, reduzindo o impacto ambiental da obra. “A Acav já conseguiu o apoio do governo de Santa Catarina – atual e eleito – que deve brigar em Brasília para obter o investimento para construção da ferrovia”, afirma. “Estamos imaginando uma parceria público-privada para aperfeiçoar a obra”. 

O projeto- A “Ferrovia do Frango” terá 700 quilômetros de extensão, ligando a fronteira Brasil/Argentina com o litoral, tendo nos dois extremos o porto marítimo de Itajaí e o porto seco de Dionísio Cerqueira. A obra está orçada em 1 bilhão e 860 milhões de reais. O projeto técnico, em fase de licitação, definirá o traçado da estrada de ferro que cortará todo o território catarinense.

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