Preços da soja podem experimentar forte retração nos próximos meses, afirma analista.
Estimativa de queda histórica para preço da soja no exterior

Um dos produtos com maior peso na pauta de exportação do Brasil, a soja pode sofrer uma retração “histórica” de preços internacionais nos próximos meses. Pelo menos é o que prevê o presidente da Hackett Financial Advisors, Shawn Hackett, em relatório divulgado ontem a seus clientes.
“Os produtores deveriam aproveitar os preços atuais e vender da forma mais agressiva possível. Estamos próximos das [cotações] máximas para o resto do ano e, possivelmente, para os próximos vários anos”. Hackett enumera as razões que o levam a apostar na queda. Segundo ele, a safra sul-americana, que foi duramente castigada pela estiagem em 2011/12, é “provavelmente maior” do que se imagina e deverá ser revisada para cima.
Além disso, Hackett avalia que os preços atuais da commodity tornaram-se “muito atrativos” e devem convencer os agricultores dos EUA a plantar entre 800 mil e 1,2 milhão de hectares a mais do que o esperado em 2012/13, “o que deve garantir um aumento expressivo nos estoques de passagem para 2013”.
Leia também no Agrimídia:
- •Torção do mesentério em suínos: evidências genéticas e implicações para o melhoramento animal na Suinocultura Industrial de fevereiro
- •Refrigeração de ovos: boas práticas, legislação e desafios no mercado global ao anuário de Avicultura Industrial
- •“Era da proteína” impulsiona estratégia da Semana Nacional da Carne Suína 2026 no Brasil
- •Investimento ferroviário nos EUA amplia logística de grãos e reduz custos para produtores avícolas
O analista afirma, ainda, que os fundos especulativos detêm um volume recorde de contratos futuros de soja na bolsa de Chicago, “de fato, mais de 35% da produção esperada para os EUA”. “Os fundos raramente mantêm uma posição por mais de três meses, e cada um desses contratos será ‘devolvido’ ao mercado quando chegar a colheita. Duvido que o mercado vai aceitar 35 milhões de toneladas de soja a US$ 14 por bushel”, afirma.
Hackett chama a atenção, finalmente, para os efeitos do câmbio no Brasil. Para ele, a alta do dólar frente ao real (que infla os preços domésticos da commodity) abre caminho para que as cotações internacionais caiam e, mesmo assim, mantenham-se atraentes para estimular o plantio necessário no país.
“[Um preço entre] US$ 8 e US$ 10 por bushel pode resolver o problema”, afirma. Por fim, ele afirma que as margens de esmagamento de soja na Ásia estão “terríveis” e devem frustrar as elevadas expectativas de exportação dos Estados Unidos para a China.
Depois de atingir o patamar mais elevados em sete meses na semana passada, os futuros da soja fecharam a segunda-feira em queda em Chicago. Os contratos para julho caíram 8,50 centavos de dólar, para US$ 14,41 por bushel, devolvendo parte dos ganhos registrados na sexta-feira. Os preços da soja já subiram 19,3% em 2012.
Vinícius Ito, analista da Jefferies Bache, afirma que há uma tendência sazonal de queda das cotações a partir de julho, quando o cenário para a safra americana fica mais evidente. Mas ele pondera que ainda é cedo para fazer previsões sobre a extensão do movimento.
“A intensidade da queda depende de onde o mercado vai estabelecer o pico de precificação, e isso não está claro. Por enquanto, o plantio segue com clima favorável nos Estados Unidos. Se houver algum problema, é possível que o mercado tenha fôlego para subir mais ainda”, diz o analista. De acordo com ele, os fundamentos do mercado indicam que a soja pode atingir até US$ 15 por bushel.





















