Medidas introduzidas desde meados de outubro constam em relatório que será examinado pelos países-membros.
Alta do protecionismo não é temporária, crê OMC

Nada menos do que 182 novas medidas que restringem ou podem distorcer o comércio, afetando 0,9% das importações mundiais, foram introduzidas desde meados de outubro, revela a Organização Mundial do Comércio (OMC) em relatório que será examinado pelos países amanhã.
Num cenário de austeridade imposta pelos governos, desemprego em alta, desaceleração do crescimento e pouca possibilidade de abertura comercial, as ameaças do protecionismo parecem crescer ainda mais, conforme a entidade.
Globalmente, as principais medidas restritivas são os tradicionais instrumentos de defesa comercial (tarifa adicional antidumping ou antissubsídios), alta de tarifas, licença de importação e controles aduaneiros. A acumulação de restrições comerciais está começando a inquietar, segundo a OMC. Ainda mais que as novas medidas se somam às existentes antes da crise global, como no comércio agrícola.
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“A mais recente onda de restrições comerciais parece não mais ser para combater efeitos temporários da crise global, e sim mais para tentar estimular a retomada através de planos industriais nacionais, o que é um negócio de mais longo prazo”, diz a OMC.
A entidade destaca, além disso, o uso de subsídios governamentais, preferências dos governos a compras locais e exigências de conteúdo nacional.
O Brasil é um dos países com bom número de medidas comerciais, mas que incluem também baixa na tarifa de importação de vários produtos. O país vai contestar os dados da entidade.
Por sua vez, no relatório sobre o comércio mundial em 2011, a entidade foca sua análise na passagem de “proteção para precaução” nas medidas restritivas, que aumentam a opacidade, custo das trocas e no fluxo das exportações e importações.
Governos em praticamente todas as regiões utilizam cada vez mais medidas que limitam, por exemplo, o uso de certos fertilizantes, além de exigir novos controles de quantidade, segurança do produto, inspeções antes do embarque etc.
“‘O movimento de proteção para precaução é uma tendência perceptível praticamente em todas as economia, na medida em que preocupações com saúde, segurança dos produtos, qualidade ambiental e outros imperativos sociais estão ganhando proeminência”, afirmou o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, ao apresentar ontem o relatório anual.
Em 2010, medidas sanitárias ou fitossanitárias (SPS, na sigla em inglês) ou barreiras técnicas ao comércio (TBT, como são conhecidas no jargão comercial) eram percebidas como o maior peso para exportações de países em desenvolvimento.
Nada menos de 94% de medidas específicas de SPS e 29% de TBT afetam exportações agrícolas. O impacto dessas medidas é mais difícil de avaliar.
Certo mesmo, conforme a OMC, é que exportadores e importadores vêm reclamando. Para Lamy, a situação exige vigilância no curto prazo.
Atualizando dados.
















