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Exportação

Japão pode importar US$ 200 milhões em suíno

Após sete anos de negociações, país asiático reconhece Santa Catarina como livre de aftosa e abre mercado.

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Japão pode importar US$ 200 milhões em suíno

A abertura do mercado japonês à carne suína de Santa Catarina poderá levar o Brasil a exportar até US$ 200 milhões anuais ao país asiático, conforme estimativa de Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).

Na sexta-feira, o governo catarinense e o Ministério da Agricultura anunciaram que o Japão abriu seu mercado à carne suína produzida no Estado, depois de sete anos de negociações. O país reconheceu Santa Catarina como livre de febre aftosa sem vacinação, o que permitiu a abertura de seu mercado.

Camargo Neto, que iniciou as negociações com o Japão, afirma que “a formalização da abertura do mercado para as exportações de carne suína de Santa Catarina conclui um ciclo de muito trabalho”, que envolveu os governos de Santa Catarina e federal, além de produtores e agroindústrias.

Em sua opinião, a abertura do mercado japonês “muda a suinocultura” no país, já que deve alavancar as vendas da carne suína produzida em Santa Catarina.

O Japão é o maior importador de carne suína do mundo, e só em 2012 comprou US$ 5,1 bilhões em produto de várias origens. Os EUA foram o maior fornecedor, com vendas de US$ 2,1 bilhões, seguidos por Canadá (US$ 1,14 bilhão), Dinamarca (US$ 763,77 milhões), México (US$ 301,07 milhões) e Chile (US$ 191,04 milhões), conforme dados fornecidos por Camargo Neto. Ele estima que o Brasil tem condições de exportar entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões ao mercado japonês.

A catarinense Coopercentral Aurora, uma das maiores processadora de carne suína do país, informou, em comunicado, que sua unidade de abate localizada em Chapecó é uma das unidades que serão habilitadas a exportar para o Japão.

A Aurora não tem estimativa de vendas, mas o presidente da central de cooperativas, Mário Lanznaster, diz que em um ano poderá ser atingido um nível de vendas semelhante aos “bons tempos de exportação para a Rússia”, quando o Brasil chegou a vender cerca de 500 mil toneladas de carne suína por ano. Antes de impor barreiras contra frigoríficos brasileiros, a Rússia era o principal país comprador da carne suína nacional.

Para a Aurora, a abertura do mercado japonês poderá representar vendas entre 200 e 400 toneladas já neste ano. “É um processo lento, mas calculamos que em 90 dias estaremos embarcando de três a quatro contêineres, com 25 toneladas cada”, afirmou Lanznaster. Segundo a Aurora, os japoneses pretendem comprar cortes nobres de carne suína, como pernil, paleta e carré.

Segundo o Ministério da Agricultura, os embarques de carne suína de Santa Catarina para o Japão começarão depois que o governo brasileiro enviar a lista das unidades que atendem aos requisitos sanitários do país asiático. Essa lista está sendo elaborada pela Secretaria de Defesa Agropecuária, em consulta com as empresas do segmento.

O secretário de relações internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, disse, em comunicado, que a abertura do mercado Japonês acontece em um “ótimo momento para o setor” – os exportadores vêm sofrendo hoje com o embargo imposto no início do ano pela Ucrânia, que vinha sendo o maior cliente do Brasil.

Santa Catarina é o maior exportador de carne suína do país. No ano passado, embarcou 181 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 492 milhões, segundo o Ministério da Agricultura. No mesmo período, o Brasil vendeu 500 mil toneladas de carne suína, ou US$ 1,3 bilhão.

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