Para identificar soluções ao problema, a Câmara Árabe promove workshop com o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários, Wilen Manteli.
Portos: Exportações a árabes sofrem com entraves logísticos

Os entraves logísticos que prejudicam o desempenho das exportações brasileiras, o novo marco regulatório dos portos nacionais, os desafios e investimentos necessários nos próximos anos e o relacionamento do setor portuário com o governo. Esses serão alguns dos temas discutidos pelo presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, durante o workshop “Portos – para onde vamos?”, promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, nesta quarta-feira, dia 16.
“O custo logístico no Brasil ainda é um entrave a se superar. Precisamos ampliar os investimentos e modernizar terminais, a fim de baixar os custos de logística do país. Não estamos evoluindo nessa questão. O Brasil caiu 20 posições no ranking mundial de logística, passando a ocupar o 65º lugar. Essa e a pior colocação do País desde que o ranking foi lançado. Já o estudo do Instituto Ilos aponta que o custo logístico do Brasil é de 10,6% do PIB, enquanto nos Estados Unidos, esse valor é de 7,7%. É notório que o Brasil tem alto custo logístico e que esse ônus é reflexo dos graves problemas de infraestrutura do País”, afirmou o diretor geral da Câmara Árabe, Michel Alaby.
O ranking divulgado pelo Banco Mundial (Bird), criado em 2007, mede a eficiência dos sistemas de transporte em 160 países. O relatório, divulgado em março, levou em conta a percepção dos empresários em relação à eficiência da infraestrutura.
RETROCESSOS
Durante o evento destinado a empresários e exportadores, Manteli vai mostrar os retrocessos, mas também alguns avanços, ocorridos no setor nos últimos anos, principalmente aqueles que estão previstos no marco regulatório dos portos. Aprovado em junho do ano passado, o novo marco regulatório atendeu a antigas demandas do setor. “Uma delas permite que empresas que operam terminais particulares possam movimentar cargas de terceiros, o que não era permitido”, acrescentou.
No entanto, de acordo com o especialista, ficaram de fora outras demandas previstas no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Em junho do ano passado, a presidente Dilma Rousseff vetou pontos que o setor considerava importantes. Um deles previa a renovação dos contratos de concessão dos terminais desde que o arrendatário fizesse investimentos. Manteli argumentou que, sem a garantia de ter ou não o terminal no futuro, o empresário não tem segurança para investir. “Nesse setor, os investimentos e os retornos são feitos com foco no longo prazo. No mercado internacional isso representa até 60 anos”, adicionou.
Já Alaby afirmou que o objetivo do evento é esclarecer dúvidas sobre as operações e novas regras do setor. Algumas das questões que o dirigente entende que devem ser abordadas são os custos que o novo marco traz e o uso da mão de obra. “Queremos trazer um especialista para oferecer aos associados da Câmara Árabe a oportunidade de discutir temas de extrema importância para o futuro do Brasil. Queremos levantar quais são os custos que vêm desta legislação. O que isso representa em termos de aumento ou redução de gastos para o comércio exterior brasileiro”, declarou.
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Serviço
Workshop “Portos – para onde vamos?”
16 de abril, às 10 horas
Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Avenida Paulista, 326, 11 º andar, São Paulo, SP.
Informações: 55 (11) 3283-4066





















