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Aminoácidos de cadeia ramificada (AACR): o que há de novo? – por Lucas Alves Rodrigues

O comentário a seguir é um insight referente ao que é novo em relação ao papel metabólico e fisiológico desse grupo de aminoácidos essenciais 

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Aminoácidos de cadeia ramificada (AACR): o que há de novo? – por Lucas Alves Rodrigues

.Leucina, isoleucina e valina. Eis os representantes do grupo de aminoácidos essenciais (AE) que precisam ser obtidos da dieta e compõem uma fatia expressiva dos AE (~1/3) presentes no músculo. Além de servirem como blocos importantes da construção proteica muscular, os AACR desempenham outras funções paralelas igualmente relevantes, quais sejam: estão envolvidos no aumento da secreção de insulina, participam na quebra e síntese de gordura, no metabolismo e transporte da glicose, regulação da barreira intestinal, qualidade do leite, saúde do aparelho mamário, desenvolvimento embrionário e atividade imune. O comentário a seguir é um insight referente ao que é novo em relação ao papel metabólico e fisiológico desse grupo de AE.

Existem evidências de correlação positiva entre níveis de aminoácidos e níveis de glicose plasmática. A explicação que a pesquisa tem buscado parece residir no fato de que (principalmente) leucina e isoleucina estimulam a captação de glicose pelo músculo, assim como sua oxidação pelo organismo e aumento de expressão de seus transportadores. Como sabemos, a glicose apresenta um papel central no processo de absorção de nutrientes no suíno e a suplementação de AACR pode viabilizar indiretamente essa melhoria. Além da regulação positiva da glicose, a leucina está intimamente ligada à síntese de proteína muscular, apresentando efeitos anabólicos evidentes em neonatos. A suplementação durante o período de terminação tem efeitos claros na deposição de proteína e maciez da carne. Há de se atentar, todavia, ao excesso de suplementação que pode desencadear efeitos adversos e que os efeitos benéficos desses aminoácidos dependem da suplementação dos demais, seguindo o conceito de proteína ideal.

Diversos trabalhos mostram que fêmeas lactantes apresentam maior catabolismo de AACR, que servirão para sintetizar outros aminoácidos na glândula mamária, aumentando a produção de leite. Além disso, essa categoria de AE estimula o crescimento e proliferação de células do epitélio mamário, melhora sua diferenciação, garantindo maior longevidade a esse grupo celular. Os efeitos não se restringem à lactação e o papel dos AACR no desenvolvimento fetal é crucial. Ocorre menor circulação sanguínea de AACR em gestantes que dão à luz fetos com crescimento intrauterino retardado. A leucina desempenha papel importante nesse tocante, por meio de síntese proteica e secreção hormonal. Todos os representantes do grupo influenciam positivamente os níveis de IGF-1 e 2 no fígado de fetos, melhorando o padrão de crescimento intrauterino e há indícios de influências na implantação embrionária.

O desenvolvimento intestinal parece ser impactado pela suplementação de AACR, com efeitos adicionais na maior produção de mucina e de células de goblet na mucosa do jejuno de leitões. Ademais, a microbiota intestinal utiliza de maneira satisfatória os AACR, contribuindo diretamente para a regulação das espécies benéficas e manutenção da diversidade de microbiota no trato gastrointestinal. Células imunes oxidam os AACR, utilizam-nos como combustíveis e os incorporam como precursores para formação de novas células imunes de defesa, o que leva a crer que animais recebendo dietas deficientes em AACR podem estar mais predispostos a sofrerem com os desafios sanitários. Leitões recém desmamados suplementados com dietas fortificadas em AACR apresentam maior circulação de imunoglobulinas, particularmente IgA. Com a crescente restrição ao uso de antibióticos, especial atenção tem sido dada ao desenvolvimento intestinal e à capacidade imune dos animais. A pesquisa do real papel intestinal e imunológico desse grupo de aminoácidos merece atenção nos próximos anos.

É inegável que os AACR podem ser utilizados como ferramentas para melhorar a saúde e crescimento de diversas categorias da espécie suína. A inclusão desses aminoácidos nas dietas, a médio e longo prazo, dependerá dos estudos em níveis de inclusão, experimentos fatoriais com suplementação combinada de 2 ou mais aminoácidos e economicidade da inclusão.

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