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Economia

Brasil precisa aumentar produção de alimentos em 41%

Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV apresentou dados durante o painel de Segurança Alimentar e Logística, no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes

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Brasil precisa aumentar produção de alimentos em 41%

O Brasil tem papel importantíssimo no fornecimento de alimentos para a demanda mundial adicional que surgirá nos próximos dez anos. A afirmação foi feita pelo coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, no painel de Segurança Alimentar e Logística, no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, que ocorre nesta segunda-feira (02/04) na capital paulista, promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

“Para suprir a demanda, o mundo terá de produzir 20% mais alimentos, e só o Brasil terá de aumentar sua produção em 41% para atingir a meta global”, explicou Rodrigues para um público formado por empresários, executivos e representantes de entidades e do setor público do Brasil e países árabes. Pela manhã, o fórum recebeu mais de 600 pessoas, cerca de 100 delas vindas de países árabes.

O professor e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eduardo Assad, complementou o raciocínio de Rodrigues falando sobre a evolução do setor alimentar no Brasil ao longo das últimas décadas. “Até os anos 1970, os brasileiros comiam frango somente aos domingos, era raro, não era um prato do dia a dia”, disse. Segundo ele, na mesma década o governo começou a investir em programas de capacitação agropecuária, enviando cientistas brasileiros para diversas partes do mundo, e a partir disso começou a aumentar a produção, fazendo “um esforço tecnológico equivalente à construção de um Boeing”.

Assad informou que hoje o Brasil tem tecnologia para criar frango e plantar soja e milho de alta qualidade, e abastecer o mundo com os seus  produtos. “Tragam estudantes árabes para cá”, disse aos árabes, enfatizando a importância de haver mais intercâmbios tecnológicos para manter a constante troca de conhecimento entre os países e obter “saltos qualitativos em ciência, tecnologia e comércio”.

Segundo Ricardo Santin, vice-presidente de mercado da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil exportou 2,1 milhões de toneladas de carne de frango para os países árabes no ano passado, o equivalente a US$ 3,1 bilhões. Atualmente, o Brasil é o maior produtor de frango halal do mundo.

O presidente do Conselho Empresarial Brasil-Tunísia, Hassine Bouzid, criticou a falta de segurança alimentar mundial e listou diversas problemáticas, como a baixa produção e o aumento dos preços de commodities. “Novecentos milhões de pessoas no mundo são mal alimentadas; faltam políticas corretas para não haver desperdícios, e reforma agrária, para reverter este quadro”, disse.

O painel moderado pelo jornalista Fernando Lopes e por Hassine Bouzid também contou com a participação de Abdelmoniem Mohamed Mahmoud, secretário-geral da União Árabe para o Desenvolvimento de Exportações Industriais (AUIED, em inglês); Ted Lago, presidente do Porto de Itaqui, no Maranhão; Anders Kron, gerente comercial do Porto e Zona Franca de Sohar, de Omã; e Alaa Ezz, secretário-geral da Federação de Câmaras egípcias.

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