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Economia

Desembolso do crédito rural tem alta de 11% impulsionado pelos bancos privados

Conforme dados parciais do sistema do Banco Central, extraídos na segunda-feira, valor chegou a R$ 398,7 bilhões entre julho de 2023 e junho deste ano

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Desembolso do crédito rural tem alta de 11% impulsionado pelos bancos privados

O Plano Safra 23/24 encerrou com um desembolso total de R$ 398,7 bilhões em crédito rural, superando em 11% o valor da temporada anterior, que foi de R$ 359,1 bilhões, mas ficando abaixo da disponibilidade anunciada de R$ 435,8 bilhões. Esse desempenho foi impulsionado pelo aumento significativo na participação dos bancos privados, que liberaram R$ 102,9 bilhões, um crescimento de quase 57% em comparação aos R$ 65,6 bilhões da safra 22/23.

Os bancos privados, liderados por Bradesco (R$ 23,7 bilhões), Itaú (R$ 19,6 bilhões) e Santander (R$ 18,1 bilhões), ultrapassaram as cooperativas de crédito em desembolsos e ficaram atrás apenas das instituições financeiras públicas, que liberaram R$ 220,6 bilhões, com o Banco do Brasil puxando esse total. Um dos fatores para o desempenho robusto dos bancos privados foi o aumento da obrigatoriedade de aplicar recursos captados pelas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) em operações de financiamento rural, que passou de 35% para 50% na safra 23/24.

As LCAs foram a principal fonte de recursos do crédito rural, expandindo sua participação no total desembolsado de 26,1% na safra 22/23 para 39,5% em 23/24, com um desembolso de R$ 157,58 bilhões. Em maio de 2024, o estoque de LCAs estava em R$ 471,1 bilhões, dos quais pelo menos R$ 253,6 bilhões devem ser aplicados em financiamentos rurais.

O aumento das LCAs exigiu adaptações nos bancos para cumprir as exigibilidades de aplicação dos recursos, e espera-se que o governo aumente novamente essas exigibilidades no Plano Safra 24/25 para até 70%. Os bancos privados impulsionaram a aplicação das LCAs em linhas de comercialização e industrialização, consideradas de menor risco, especialmente em um ano de queda nos preços das commodities e efeitos de adversidades climáticas.

As linhas de comercialização subiram 44,7%, de R$ 35,6 bilhões para R$ 51,5 bilhões, enquanto os desembolsos para industrialização dobraram, atingindo R$ 31,2 bilhões, com cerca de 70% desses valores tendo as LCAs como fonte. As linhas de comercialização e industrialização são geralmente usadas por empresas e cooperativas para apoiar a venda ou estoque de produtos e o processamento.

O consultor em finanças do agronegócio Ademiro Vian destaca que o crédito rural está sendo canalizado para as operações mais seguras, e prevê continuidade da expansão das LCAs no Plano Safra 24/25 devido à sua atratividade. Ivan Wedekin, consultor em crédito rural, observa que as LCAs também aumentaram sua participação nas linhas de investimentos, com R$ 16,2 bilhões desembolsados na safra 23/24.

Carlos Aguiar, diretor de Agronegócios do Santander, mencionou que o desempenho dos bancos privados poderia ter sido melhor se não fosse pela queda nos preços das commodities. No geral, o Pronaf cresceu 11,4%, com um desembolso de R$ 59,2 bilhões, enquanto o Pronamp permaneceu estável em R$ 49,3 bilhões.

O governo anuncia o Plano Safra 24/25 amanhã, com um total de R$ 475,5 bilhões em crédito, dos quais R$ 74,9 bilhões serão destinados à agricultura familiar, R$ 65 bilhões ao Pronamp e R$ 335,5 bilhões aos grandes produtores.

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