Argentinos querem revisão da legislação de drawback para importar grão e exportar óleo e farelo.
Argentina pode esmagar soja do Brasil
Redação (09/03/06) – Esmagadoras de soja da Argentina pediram ao governo local que revise a legislação das operações de drawback (importação) de soja a fim de permitir a compra de países vizinhos com o propósito de processá-la em farelo e óleo de soja.
“Nossa capacidade de esmagamento vem crescendo em forte ritmo, e queremos assegurar a disponibilidade de matéria-prima”, diz Alberto Rodriguez, diretor-executivo da Câmara da Indústria de Óleos Vegetais da República da Argentina (Ciara), em entrevista por telefone de seu escritório, em Buenos Aires.
A configuração atual das operações de drawback tornou a importação economicamente inviável, diz Rodriguez. Por isso, a Ciara vem pleiteando há dois anos uma mudança que favoreça as compras.
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Em 2005/06, a Argentina deve colher 40,50 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Já a capacidade de esmagamento de soja fechará o ano de 2006 em 41,5 milhões de toneladas, calcula a Ciara. Com os investimentos que estão em andamento, a Argentina terá capacidade de processar 43,5 milhões de toneladas em 2007.
Rodriguez estima que a Argentina teria interesse de importar 3 milhões de toneladas de soja dos países vizinhos, como Paraguai, Bolívia e Brasil. “No passado, compramos mais do Paraguai, mas nada impede que passemos a importar maior quantidade do Brasil”, afirmou.
“Em breve estaremos exportando soja para a Argentina reexportá-la em óleo e farelo”, diz Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Ele atribui o mau momento do empresariado ao câmbio valorizado (ver matéria pág. A-6), à estrutura tributária que favorece as exportações de matéria-prima (grão) em detrimento dos processados (óleo e farelo) e aos gargalos logísticos.
Descompasso
Desde 1999, a produção de soja no Brasil cresceu 83,4%, para 57,6 milhões de toneladas. O esmagamento, no entanto, não acompanhou o desenvolvimento e aumentou 37,2% no mesmo período, para 29,7 milhões de toneladas de oleaginosas. Os dados foram divulgados ontem pela Abiove.
O dado poderia sugerir que as indústrias estão operando com capacidade máxima, mas na verdade algumas fecharam as portas temporária ou definitivamente. É o caso da fábrica de esmagamento de soja da Cargill em Mairinque (SP) e das unidades de Cuiabá (MT) e São Francisco do Sul (SC) da Bunge Brasil. A Bunge, que tem 19 fábricas, também poderá fechar temporariamente suas unidades de Campo Grande (MS) e Ourinhos (SP).





















