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Plantio americano surpreende, e grãos têm queda

Área plantada com milho é a maior desde 1936; plantio de soja é recorde.

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Plantio americano surpreende, e grãos têm queda

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado e derrubou os preços internacionais dos grãos na sexta-feira. Em relatório divulgado no meio do dia, o USDA informou que os agricultores americanos plantaram neste ano (safra 2013/14) 39,4 milhões de hectares com milho, a maior área dedicada ao cereal desde 1936.

O número ficou ligeiramente acima da primeira projeção do próprio USDA, de 39,37 milhões de hectares, divulgada em março, ainda antes de os produtores irem a campo. Na média, analistas de mercado esperavam uma redução para 38,6 milhões.

Na avaliação de Steve Cachia, analista da Cerealpar, os números indicam que a determinação do produtor americano em plantar milho a todo custo foi “levada ao pé da letra”. “Muitos plantaram fora do período recomendado, que seria integralmente coberto pelo seguro.”

Havia no mercado um consenso de que os produtores teriam plantado menos milho do que o planejado em consequência do grande volume de chuvas entre abril e maio (período considerado ideal para o cultivo do grão) no Meio-Oeste. Analistas previam que pelo menos 500 mil hectares que seriam originalmente destinados ao grão migrariam para a soja. Na prática, a migração foi bem menor.

De acordo com as novas estimativas do USDA, a soja deverá ocupar 31,4 milhões de hectares em 2013 – um novo recorde. A área é 0,7% maior que a registrada no ano passado e também superior à projeção inicial do USDA, de 31,2 milhões de hectares. Ainda assim, frustrou as expectativas. Na média, analistas previam 31,6 milhões de hectares.

As apostas do mercado em relação ao trigo também se mostraram equivocadas. Segundo o órgão americano, a área dedicada ao cereal em 2013 deve totalizar 22,9 milhões de hectares, um aumento de 1,4% na comparação com a safra passada. Na média, analistas esperavam um cultivo um pouco mais acanhado, de 22,6 milhões de hectares.

Com as incertezas em relação ao plantio sanadas – as estimativas do USDA são consideradas definitivas -, o mercado tratou de ajustar suas posições na bolsa de Chicago, e fundos que haviam apostado em um relatório altista se viram obrigados a vender.

Na bolsa de Chicago, os contratos de milho de segunda posição de entrega, para setembro, fecharam em forte queda de 4,3%, a US$ 5,4725 por bushel. Contudo, o primeiro vencimento do grão, para julho, permaneceu no azul (com valorização de quase 2%), assim como os de soja, sustentados pela escassez das duas commodities no mercado físico dos Estados Unidos, reflexo da seca que derrubou a colheita do país na temporada 2012/13.

Mesmo os contratos de segunda posição de soja, para agosto, sentiram pouco os efeitos do relatório do USDA – houve um ligeiro recuo de 0,10%, a US$ 14,31 por bushel. Entretanto, os papéis para novembro, que já refletem a entrada da nova safra americana no mercado, encerraram a US$ 12,52 por bushel, baixa de 1,82%. O desconto nos preços da oleaginosa para novembro, na comparação com os papéis para julho, é de mais de US$ 3 por bushel, um dos mais altos da história.

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