A produção da carne suína tem grandes oportunidades se for suportada pelos pilares da eficiência, sustentabilidade e economia circular, e tiver políticas adequadas
Suinocultura sustentável da Argentina pode crescer exponencialmente

Durante décadas, a proteína animal mais consumida no mundo foi a carne suína, mas recentemente foi superada pela de frango. Isso ocorreu, em parte, devido à epidemia de peste suína africana que dizimou grande parte da população de suínos da China. Apesar da recuperação, o episódio foi muito impactante nas propriedades menores ou famílias que tinham menor controle sanitário.
Este mamífero tem a maior capacidade de converter vários alimentos em proteínas de alta qualidade. Assim, em sistemas precários como o de famílias chinesas, eles são alimentados com lixo doméstico e restos de outros produtos associados aos grãos que são produzidos em cada local. Porém, devido à crise, grande parte dessa escala produtiva desapareceu, sendo substituída por modernos incubatórios de alta tecnologia.
Este processo foi semelhante em outras partes do mundo onde o pequeno fazendeiro europeu, americano ou estrangeiro morando na Europa os criou da mesma forma e conseguiu adiar o consumo de carne ao longo do ano fazendo linguiças, bacon, presuntos além de outros produtos in natura.
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Hoje estamos diante de uma realidade diferente, onde os atributos de qualidade são cada vez mais necessários e abrangem tanto o produto final, quanto o processo industrial e o sistema produtivo. Além disso, aumentou a necessidade de demonstrar o que se diz fazer a partir de certificações e rastreabilidade.
Desde 1992, a população suína argentina quadruplicou de 1,8 para 7,7 milhões de cabeças; produção de 159 para 726 mil toneladas; enquanto o consumo per capita triplicou de 5,65 quilos para quase 17. Esse crescimento de 11 quilos equivale a 50% da queda no consumo de carne bovina no período, gerando a possibilidade de exportação dessa carne.
A taxa de conversão global de alimentos para cada quilo de carne produzida é de 3 para 1, ou seja, para as 850.000 toneladas vivas, foram consumidas 2.500.000 toneladas de alimentos acabados, onde 68% é milho, cerca de 1,7 milhão de toneladas, menos de 3% da safra de um ano sem seca, com apenas 4% de grãos contendo vitaminas e minerais, única fração parcialmente importada. Existe uma possibilidade enorme de dar valor ao milho, que é exportado para outros gerarem proteínas, etanol ou bioplásticos.
Existe uma relação de equilíbrio que é o valor de 5 quilos de milho mais 2 de soja que hoje está errada para os produtores, onde fazer malabarismos com os planos de soja I, II, III geram desequilíbrios complexos a serem absorvidos por todos os produtores que os utilizam como suprimentos.
A produção de matrizes e leitões deve ocorrer da forma mais sustentável, com uso racional de antibióticos e com bem-estar animal, instalações adequadas que permitam uma adequada circulação do ar, regulação da temperatura, tratamento de esterco e urina, disponibilidade de espaço para cada idade e estado dos animais são muito importantes enzimas, o uso de extratos de origem natural para evitar a emissão de amônia e metano, o uso de biodigestores e transformação em biofertilizantes ou bioenergia (biogás), cuidando da digestibilidade dos alimentos e controle de commodities (soja e milho) e controle de moscas e ratos por meio do manejo integral de pragas. Ao dizer eficiência, economia circular e sustentabilidade são palavras-chave.
Nisso, a Argentina também está trabalhando muito bem no uso de biológicos, substituindo outras moléculas sintéticas ou antibióticos, já que se utilizam extratos de alcachofra, beterraba ou alfarroba. “A produção de suínos é amiga do meio ambiente, da saúde humana e do bem-estar animal”.
A Argentina exporta 70% do milho que produz em grão. Isso, como indicado no recente congresso Maizar por Rodolfo Bongiovanni e Leticia Tuninetti do INTA e do INTI mediram que sua pegada de carbono produziu o valor mais baixo do mundo. Pela relevância da alimentação e pelas propostas de economia circular em que a produção está integrada, a carne suína tem a pegada de carbono baixa e este deve ser um argumento para que a exportação desta carne decole definitivamente.
Em um mundo complexo e com mudanças exponenciais, tanto a carne suína da Argentina quanto suas outras produções, têm uma enorme oportunidade se sua liderança for capaz de construir uma marca que associe seus produtos a sistemas de produção amigáveis ??ao meio ambiente e sociedade.





















