China opta por não importar soja dos EUA, mesmo com atrasos na colheita brasileira

A colheita lenta de soja no Brasil está atrasando a entrega dos suprimentos aos compradores, mas a China, que recebe mais de 70% das exportações anuais de soja brasileiras, não parece estar preocupada com isso. Embora um atraso na colheita possa abrir uma oportunidade para a soja dos EUA, tanto os embarques em geral quanto a participação da China têm mostrado números fracos recentemente.
As vendas de soja dos EUA para a China tiveram um pico temporário em meados de janeiro, mas essa alta parece ter sido um caso isolado. Nos meses seguintes, os volumes semanais de exportação permaneceram abaixo da média, mesmo diante de expectativas mais modestas. Em 23 de janeiro, as vendas de soja dos EUA para a China representaram apenas 47% das reservas totais para o ano comercial de 2024-25, marcando o nível mais baixo em 17 anos, sem contar fatores como guerras comerciais. Outros 9% das vendas foram direcionados a destinos desconhecidos, o que não indica que as compras chinesas estejam sendo ocultadas.
No volume total, as reservas chinesas de soja dos EUA caíram 3% em relação ao ano anterior, seguindo a previsão do Departamento de Agricultura dos EUA para uma queda nas importações chinesas em 2024-25. No entanto, o recente aumento nas importações da China não atingiu essas expectativas devido à diminuição nos embarques do Brasil. As importações nos meses de novembro e dezembro caíram 15% em relação ao ano passado, mesmo com um aumento correspondente nas chegadas da soja dos EUA.
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Embora os atrasos na colheita no Brasil sejam um fator importante, o ministro da Agricultura da China revelou na semana passada que o setor suinícola do país se recuperou após um período difícil, o que poderia aumentar a demanda por soja. Além disso, as margens de esmagamento de soja na China melhoraram nas últimas semanas.
Esses fatores têm dificultado uma recuperação no interesse da China pelo mercado de soja dos EUA. Alguns analistas acreditam que a China pode ter estocado soja americana antes da possibilidade de tarifas comerciais; no entanto, os dados recentes não corroboram essa hipótese.
As importações chinesas provavelmente continuarão baixas nas próximas semanas, já que as exportações brasileiras em janeiro devem ficar bem abaixo dos níveis do ano passado e das previsões anteriores. No entanto, espera-se que os suprimentos brasileiros sejam abundantes a partir do próximo mês e que os preços sejam competitivos. As projeções indicam que as exportações brasileiras de soja em fevereiro poderão superar as médias históricas e até desafiar os volumes do ano passado.
Por outro lado, nem tudo é negativo para os Estados Unidos. Apesar das previsões abaixo da média do USDA para 2024-25, as vendas de soja americanas para outros mercados estão entre as terceiras maiores já registradas nesta época do ano e aumentaram 30% em relação ao ano anterior. As vendas para a Europa estão especialmente acima do normal.
Contudo, a China continua sendo um mercado crucial, representando 54% das exportações totais de soja dos EUA em 2023-24. A incerteza sobre se esse fluxo comercial será ainda mais prejudicado aumenta com a possibilidade de tarifas sobre produtos chineses sendo discutidas pelo presidente dos EUA.
Os preços da soja refletem essa situação desafiadora, especialmente em comparação com o milho. Espera-se que os agricultores americanos reduzem significativamente a área plantada com soja nesta primavera em favor do milho, o que pode ajudar a controlar os suprimentos disponíveis nos EUA.
Fonte: Karen Braun, analista de mercado da Reuters.





















