A Comissão Europeia propõe acordo comercial com Mercosul, incluindo salvaguardas para conquistar críticos como França e Polônia
Comissão Europeia propõe acordo comercial com Mercosul com salvaguardas em meio a críticas

A Comissão Europeia deve apresentar um acordo comercial com o Mercosul para aprovação nesta quarta-feira, na esperança de conquistar os principais críticos do acordo — França, Polônia e agricultores europeus — com promessas de salvaguardas. O acordo de livre comércio, alcançado em dezembro passado após 25 anos de negociações, será submetido à aprovação do Parlamento Europeu e de uma maioria qualificada entre os governos da UE.
A Comissão e proponentes como Alemanha e Espanha defendem que o acordo do Mercosul oferece uma maneira de compensar a perda de comércio devido às tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e reduzir a dependência da China para minerais essenciais. A França, maior produtora de carne bovina da UE, já classificou o acordo como “inaceitável”, e a Polônia também se opôs repetidamente.
Para compensar as preocupações, a Comissão proporá um mecanismo pelo qual o acesso preferencial do Mercosul para produtos agrícolas sensíveis, como carne bovina, poderia ser suspenso se a participação de mercado ou os volumes importados aumentassem em 10% ou se os preços caíssem nessa proporção. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que, sem outros parceiros para bloquear o acordo, é essencial ter tal medida de defesa em vigor.
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O executivo da UE disse que o acordo do Mercosul é o maior já firmado em termos de redução de tarifas e é uma parte necessária do esforço da UE para diversificar os laços comerciais.
Detalhes do Acordo
- Reduções Tarifárias: O Mercosul removerá impostos sobre 91% das exportações da UE (incluindo automóveis) ao longo de 15 anos. A UE removerá progressivamente impostos sobre 92% das exportações do Mercosul ao longo de 10 anos.
- Cotas Agrícolas: A UE oferecerá cotas maiores para produtos sensíveis, como 99.000 toneladas métricas a mais de carne bovina, e o Mercosul dará à UE uma cota isenta de impostos de 30.000 toneladas para queijos. Há também cotas da UE para aves, carne suína, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e milho doce.
- Indicações Geográficas: O acordo reconhece 350 indicações geográficas para proteger alimentos tradicionais da UE.
- Minerais Essenciais: A UE vê o Mercosul como um parceiro confiável para reduzir sua dependência da China para minerais essenciais, como o lítio, e o acordo garantirá a isenção de impostos sobre a exportação da maioria desses materiais.
- Salvaguardas: Existem possíveis medidas de salvaguarda para lidar com perturbações do mercado.

Críticas e o Futuro do Acordo
Os críticos, incluindo agricultores e grupos ambientais, alegam que o acordo levaria a importações de commodities baratas que não atendem aos padrões ambientais e de segurança alimentar da UE e resultaria em aumento do desmatamento. A Comissão Europeia nega que os padrões da UE serão flexibilizados e aponta que a carne bovina extra representa apenas 1,6% do consumo da UE e as aves 1,4%, destacando que o Mercosul já atende aos padrões da UE. No entanto, grupos ambientalistas dizem que os compromissos ambientais do acordo carecem de medidas executáveis. O acordo, que pode ser bloqueado no parlamento ou pelos governos da UE, ainda não tem um caminho garantido para a aprovação.





















