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Agroindústrias

Para resistir, Margen propõe nova empresa

Para superar a crise, Margen propõe a criação de uma nova empresa, que teria credores como acionistas.

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Ainda com prejuízos, apesar de “protegido” dos credores, o grupo Margen apresenta esta semana, na primeira assembleia geral de credores, uma proposta de modificação do seu plano de recuperação judicial. Assim como o Independência, outro frigorífico em recuperação, o Margen propõe a criação de uma nova empresa – a NewM S.A. – para voltar a ser viável, além da saída da família do dia a dia do negócio.

A diferença no caso do Margen é que os credores, em grande parte instituições financeiras, se tornariam sócios da nova empresa; no caso do Independência, dois terços dos créditos seriam transformados em dívida perpétua e ficariam fora da Nova Independência.

O advogado Murillo Lôbo, coordenador do projeto de recuperação do Margen, afirmou que a escassez de recursos para capital de giro da empresa e a ainda apertada oferta de gado bovino para abate no país levaram a companhia a registrar prejuízo no primeiro semestre deste ano. “Mesmo trabalhando sem dívidas [o pagamento foi suspenso com a recuperação judicial], o resultado da operação é prejuízo”, afirmou o advogado. “Esperávamos um prejuízo de R$ 10 milhões para o ano, mas isso já aconteceu no primeiro semestre”, acrescentou.

Segundo ele, a empresa vem operando graças a recursos aportados pelos próprios sócios e obteve empréstimos apenas de “bancos menores”. Diante desse cenário e da resistência de um dos principais credores – o Fundo Multi Carteira Nova Alemanha, formado Oppenheimer e QVT Fund – ao plano original, os advogados da empresa modificaram a proposta para recuperação do Margen.

O plano agora é criar uma subsidiária integral, a NewM S.A., “destacando” 90% do patrimônio do Margen Ltda, avaliado em R$ 230 milhões. Essa nova empresa teria o controle dividido com os credores. Segundo Lôbo, haveria duas classes de ações, as ordinárias (80% do capital) e as preferenciais (20%), sem direito a voto. A atual controladora do Margen, a GM Rio Bonito, teria 45% de ações ordinárias e as instituições financeiras, 35% (fatia proporcional ao valor de seus créditos). Os outros 20%, de ações preferenciais, seriam assim divididas: 10% para os quirografários (credores sem garantias) e os demais 10% em tesouraria, reservados para créditos que venham a ser reconhecidos judicialmente.

Já os fornecedores de animais para abate, explicou o advogado, teriam um “tratamento diferenciado” e seriam transformados em debenturistas. Para pagamento dos créditos dos pecuaristas (R$ 20 milhões), o plano é emitir debêntures, que poderiam ser convertidas em ações preferenciais da NewM.

O plano prevê, ainda, que o “velho” frigorífico Margen Ltda deixará de atuar em carne bovina e terá como novo foco de negócios a carne suína. Para isso, a ideia é incorporar a seu patrimônio a unidade de suínos de Rio Verde de Mato Grosso (MS) e devolver todas as plantas atualmente arrendadas – Xinguara (PA), Colinas (TO), Nova Olinda (TO) , Pimenta Bueno (RO) – , exceto a de Cezarina (GO) e as granjas de Varjão e Jataí, também em Goiás. “O plano é que o Margen atue em suínos, numa estrutura menor, muito enxuta”, explicou.

Para quitar as dívidas trabalhistas, um total de R$ 17 milhões, a empresa, segundo o plano, venderá a sua frota de 300 veículos em leilão, incluindo as aeronaves. Regras mais rígidas de governança corporativa também estão na proposta da NewM. “Haverá forçosamente uma profissionalização”, disse o advogado. Segundo ele, os sócios Geraldo Prearo e Mauro Suaiden vão para o conselho de administração da nova empresa, que terá oito membros. Os demais serão representantes dos credores/acionistas.

O plano de recuperação original do Margen, apresentado em 30 de maio, previa que os pagamentos a credores com garantia real (instituições financeiras e fundos), que têm R$ 270 milhões a receber, teriam deságio de 50%, carência de cinco anos, juros de 2% ao ano, e seriam feitos em 15 anos, em parcelas anuais. Já os quirografários, com créditos de R$ 65 milhões, receberiam o valor integral. Os pagamentos teriam carência de dois anos, seriam feitos em três parcelas anuais e com juros de 2% ao ano.

Se aceito, acredita Murillo Lôbo, o novo plano preservará a empresa e será uma solução para os credores. “A NewM já nascerá com capacidade instalada de 4.900 animais por dia e irá buscar parcerias com novos investidores e players do setor para iniciar as suas operações tão logo as condições de mercado estejam mais favoráveis”, afirma o texto da proposta de modificação.

O advogado diz que a intenção é que a nova empresa seja atrativa para investidores, por isso a reestruturação é necessária. A possível venda do controle, no futuro, também não está descartada.

A atual situação do Margen reflete muito do setor de carne bovina, que ainda vive oferta escassa de animais e queda nas exportações. Mas a empresa vive altos e baixos desde 2004, quando foi acusada de sonegar R$ 150 milhões em tributos federais, estaduais e municipais e dívidas com o INSS. Este ano, foi novamente alvo da ação da Polícia Federal na “Operação Abate”. Um gerente da empresa foi acusado de pagar propina a fiscais federais para que uma unidade obtivesse autorização para exportar.

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