A atividade suinícola independente tem grande importância em aspectos sociais e econômicos. O setor é um grande contribuinte da receita estadual e gera milhares de empregos.
A representatividade do setor não integrado – Por Wolmir de Souza
Amigos leitores, através desse espaço, venho aos poucos, descrevendo a realidade e a importância do sistema de produção, abate e industrialização de suínos que estão fora do sistema de integração. Abaixo, destaco a importância social e econômica do produtor independente.
Social- Somente em Santa Catarina são mais de quatro mil pequenos produtores. Aproximadamente 12 frigoríficos com Serviço de Inspeção Federal (SIF) – fora do grande conglomerado agroindustrial. São 110 frigoríficos com Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e um grande número com Serviço de Inspeção Municipal (SIM). Os empreendimentos de abate e industrialização empregam em media 45 funcionários sendo que mais de 52% destes tem até 20 funcionários. Cerca de 75% dos animais abatidos nestes frigoríficos são oriundos de pequenos produtores se suínos.
Econômico- Juntos, esses frigoríficos abatem aproximadamente 12 mil suínos por dia – uma média de 140 suínos por dia cada. Este segmento é responsável por grande escala na arrecadação de impostos do Estado, principalmente nos nossos pequenos municípios, onde existe a comercialização de matéria prima de consumo (milho e soja) de suínos. Sem contar que desses empreendimentos, a carne – na sua totalidade-, destina-se ao consumo interno e a sua produção agrega valor. Portanto, também tributos e mão-de-obra.
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Onde quero chegar com ênfase nestas informações?
Esta é uma cadeia que, como já disse, é forte e representativa. Porém, apesar da capacidade ociosa dos frigoríficos, cerca de 8 a 10 mil suínos por mês saem de Santa Catarina para serem abatidos por outros Estados. Apesar de agregarem valor e mão de obra nos industrializados, a carga tributária sai de 7% na carcaça para 17% no industrializado.
Apesar de mais de 80% dos frigoríficos trabalharem com SIE e SIM e terem grande interesse em aderir ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal e ao Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária (Sisbi/Suasa), esta realidade ainda não chegou ao setor.
Embora sejam reconhecidas e justas as ações em que o Estado e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) fizeram e fazem, principalmente no campo da defesa sanitária animal – visando principalmente as exportações -, nada é feito por parte da inspeção. Olha que o Brasil consome 80% do que produz e estes frigoríficos vendem exclusivamente no mercado interno.
Olhando atentamente para este cenário de dificuldades, interrogações e possibilidades, surgiu o Instituto Nacional da Carne Suína (INCS), com visão de cadeia e foco no produto e consumidor final. Alternativas como a implantação do Sisbi/Suasa, convênio com laboratórios para análise dos produtos, projetos tributários, reaberturas de plantas frigoríficas e fortalecimento na agregação de valor nos produtos, são algumas das ações que o INCS vem desenvolvendo visando a sustentação e o crescimento do segmento não integrado.
Abraço e até a próxima.
Wolmir de Souza, presidente do Instituto Nacional da Carne Suína (INCS)





















