Representando produtores do Rio Grande do Sul, o presidente da Acsurs, Valdecir Luis Folador, relatou as dificuldades enfrentadas. “O produtor vem ficando cada vez mais pobre”, disse.
Suinocultores integrados defendem regulamentação do setor em audiência pública
Em audiência pública da Comissão de Economia e Desenvolvimento Sustentável na manhã da última quarta-feira (25/05), o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Luis Folador, relatou as dificuldades enfrentadas pelos produtores integrados e defendeu a regulamentação do setor. “O produtor vem ficando cada vez mais pobre”, disse Folador.
A audiência foi proposta pelo deputado Luis Fernando Schmidt (PT) e conduzida pelo presidente da comissão, deputado Adilson Troca (PSDB). Também contou com as presenças dos deputados Lucas Redecker (PSDB), Zilá Breitenbach (PSDB) e Aloísio Classmann (PTB). Schmidt explicou que sua intenção inicial era discutir os atrasos nos pagamentos da empresa Doux-Frangosul aos produtores integrados. Com o pagamento de uma parcela nos dias 17, 18 e 19 de maio, o problema foi atenuado, no entanto uma série de outras questões ainda justificavam o debate.
O presidente da Associação de Criadores de Suínos descreveu a situação do setor hoje e as transformações pelas quais tem passado. Explicou que, no sistema de integração, a produção é feita por etapas: há produtores que são donos dos seus plantéis, outros que são apenas prestadores de serviços. Quase a totalidade da produção se dá em pequenas e médias propriedades, cada uma delas com no máximo 400 ou 500 animais. A remuneração, segundo ele, se dá por índice de eficiência, levando-se em consideração uma série de fatores, como conversão alimentar, ganho de peso e mortalidade.
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Segundo Folador, é preciso regulamentar o setor. “Não há um critério técnico definido, um balizador, estabelecendo quanto cada produtor vai receber levando em conta os índices de produção e produtividade”, declarou. “Cada empresa institui a sua política de remuneração em cima dos índices que ela preconiza como os mais viáveis dentro do seu sistema”. Segundo ele, com a segmentação, o produtor tornou-se refém do sistema. Por outro lado, aquele que não está em um sistema de integração não consegue vender o seu produto.
Ele destacou que há hoje uma série de exigências impostas pelo mercado, porém o retorno do produtor fica muito aquém do necessário, mal cobrindo os custos de produção. Disse que tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei (PL 8.023/2010) para regulamentar os setores suíno, de aves, fumo e fruticultura, que possuem trabalhadores em sistema de integração, e pediu a atenção dos parlamentares para o tema.
O conselheiro fiscal da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul, Ari Freling, falou sobre cada um dos elos da cadeia da suinocultura e destacou a necessidade de se buscarem meios para que o produtor permaneça na sua propriedade. Fernando Gomes, do Badesul, disse que a instituição tem conhecimento das dificuldades por que passa o setor e está aberta a projetos que possam estimulá-lo.





















