Um dos principais efeitos registrados foi a queda da demanda no mercado interno, sobretudo pela redução da renda do consumidor e pelo fechamento de restaurantes, escolas, bares e atividades de turismo.
Pesquisa mostra como as indústrias de ovos, frangos e suínos sofrem os efeitos da pandemia

Redução da demanda interna, dos preços e dos custos de produção, manutenção das atividades produtivas e expansão das exportações. Esses foram alguns dos impactos observados da pandemia de Covid-19 nas cadeias produtivas de frango de corte, de ovos e de suínos. Resultaram de um estudo realizado pela Embrapa Suínos e Aves junto ao setor produtivo.
Um dos principais efeitos registrados foi a queda da demanda no mercado interno, sobretudo pela redução da renda do consumidor e pelo fechamento de restaurantes, escolas, bares e atividades de turismo. O dinamismo do consumo ficou praticamente restrito aos supermercados, de acordo com o pesquisador Franco Muller Martins, um dos autores do estudo. “Até o final do primeiro quadrimestre, a produção não parou em momento algum, ou seja, não sofreu rupturas como outros setores. Mesmo com o aumento das exportações verificados até o momento, o país terá que buscar exportar ainda maiores excedentes de produção”, revela o cientista.
De acordo como pesquisador Dirceu Talamini, outro autor do estudo, os custos de produção já vinham em patamares elevados no início de 2020, especialmente pela desvalorização do câmbio, mas tendem a se equilibrar abaixo dos valores do primeiro quadrimestre. O destaque, segundo ele, é para o preço do milho, um dos principais insumos dessas cadeias produtivas, que perdeu competitividade na produção de etanol em função do preço do petróleo.
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“O cenário de curto e médio prazo ainda é de muita incerteza, especialmente no que diz respeito à demanda e avanço da doença. O otimismo da cadeia produtiva de proteína animal está a longo prazo, vislumbrando um esforço maior para aumentar as exportações e adequar o consumo interno, bem como evitar rupturas na logística de suprimento, abate e distribuição”, detalha o pesquisador Marcelo Miele, também autor do trabalho.
O estudo foi realizado de 20 a 30 de abril, por meio de entrevistas estruturadas junto a atores-chaves das cadeias produtivas de frango de corte, de ovos e de suínos. Foram ouvidos líderes e membros de associações de produtores e de associações da agroindústria de todas as regiões do País. O estudo teve como foco a busca de informações qualitativas e prospectivas para subsidiar a gestão estratégica da Embrapa e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).





















