Especialistas indicam momento de transição para uma nova suinocultura, com vantagens mercadológicas para o Brasil. Mesmo atravessando um período de custos produtivos elevados, a tendência é de aceleração na abertura de novos mercados para a carne suína brasileira. Realizado no Sofitel Jequitimar, no Guarujá (SP), evento reuniu cerca de 350 participantes.
Seminário Internacional de Suinocultura Agroceres PIC aponta cenário otimista para futuro da produção suinícola brasileira

O Seminário Internacional de Suinocultura Agroceres PIC apontou um cenário mais otimista para o setor produtivo de suínos, embora ainda acompanhado de elevados custos de produção. Durante praticamente 2011 inteiro, e principalmente neste primeiro semestre, a suinocultura viveu um período de grandes turbulências. Importantes mercados internacionais bloqueados, enfraquecimento da demanda interna, competição acirrada com outras carnes e altos preços de milho e soja foram alguns dos fatores de maior impacto. “Cremos que o pior já passou. Ainda temos o desafio dos custos de produção, contudo os preços do suíno já se recuperaram em boa parte e a suinocultura certamente vai retomar o caminho do crescimento”, afirma Alexandre Furtado da Rosa, diretor Superintendente da Agroceres PIC.
Chegando a sua 10ª edição ininterrupta em quase 20 anos de realização, o evento consolidou sua posição em antecipar tendências produtivas e de mercado, além de discutir questões econômico-conjunturais e relacionadas à gestão. Realizado entre os dias 29 e 31 de agosto no Sofitel Jequitimar, no Guarujá (SP), o Seminário reuniu cerca de 350 participantes. Um público altamente qualificado, formado por suinocultores independentes e integrados, empresários, dirigentes e técnicos de agroindústrias, cooperativas e associações. O evento teve ainda uma boa presença internacional, principalmente de participantes oriundos da Argentina e Estados Unidos. “O nosso intuito é sempre o de criar uma oportunidade exclusiva para que nossos clientes e líderes do setor possam ouvir e interagir com alguns dos melhores e mais influentes especialistas da atualidade e, por intermédio deste contato, possam discutir e vislumbrar quais caminhos apontam para o futuro da suinocultura”, ressalta Furtado da Rosa.
Para o diretor Superintendente da Agroceres PIC, o setor vive hoje um período de transição para uma nova suinocultura, cujo molde se dará a partir de uma nova sociografia dos mercados. Isto, atrelado a uma percepção mais apurada sobre as qualidades da carne suína, levando a um aumento de sua base de consumo e a uma crescente valorização dela entre os consumidores. O mundo terá nove bilhões de habitantes até 2050, com 86% deste crescimento populacional se dando na Ásia e África. O processo está associado ao aumento de renda, ampliando as oportunidades para consumo, produção e exportação de proteína animal. Serão 204 países consumindo e apenas 25 produzindo, com Brasil e Estados Unidos liderando este bloco. A perspectiva é de que o Brasil seja responsável por 27% das exportações mundiais de carnes até 2020.
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Mesmo problemas como a recente quebra de safra nos Estados Unidos – e seus impactos nos preços internacionais das commodities – devem resultar em vantagens para a suinocultura brasileira. “A quebra de safra nos Estados Unidos é complexa, mas vai abrir oportunidades para a suinocultura do Brasil. O importante é não desistir; é persistir porque estamos muito perto da abertura de importantes mercados para a carne suína brasileira”, projeta Alexandre Mendonça de Barros, economista e consultor da área de grãos da MBAgro, um dos palestrantes do evento.
Mercado doméstico – As perspectivas em relação ao mercado interno também se projetam positivas à atividade suinícola. O brasileiro vem ampliando o consumo de carne suína na mesma medida em que a renda cresce e o nível educacional se eleva no País. Para Furtado da Rosa, é possível dobrar o atual consumo per capita, atingindo em pouco tempo a marca de 30 kg. Média idêntica a de outros países produtores de carne suína e com grande mercado doméstico, como Estados Unidos, China, Rússia e México. “Se alguém duvida disto, basta voltarmos 20 anos no tempo, quando realizamos o primeiro Seminário Internacional de Suinocultura, e perceber a transformação”, aponta o diretor Superintendente da Agroceres PIC. Naquele momento, a economia brasileira era totalmente instável, o consumo era metade do atual e o País não exportava um quilo sequer. “De lá para cá a produção suinícola brasileira deu saltos de tecnologia, qualidade e empreendedorismo, a ponto de se tornar a quarta maior do mundo. Acredito que hoje, independente dos desafios, a suinocultura do Brasil está apta a seguir seu caminho rumo a um novo futuro, o qual é altamente promissor à atividade”, conclui.





















