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Agricultura não é responsável pelo aquecimento global, defende ministro

O ministro da Agricultura, Luis Carlos Guedes Pinto, defendeu ontem (28) que a agricultura não seja responsabilizada pelas mudanças climáticas e aumento da temperatura do ar.

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Redação (01/03/07) –  Ambientalistas sustentam que diversas práticas agrícolas degradam o solo e causam a desertificação de algumas regiões, contribuindo para o aumento da temperatura do ar.

O ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, durante debate sobre impactos do aquecimento global na agricultura, oferta de água e saúde pública 

“Não se pode absolutamente atribuir à agricultura, no caso específico do Brasil, a responsabilidade pelo aquecimento global”, disse o ministro, que participou do seminário Mudanças Climáticas e seus Efeitos na Agricultura, Recursos Hídricos e Saúde Pública. O evento ocorreu na sede do Instituo Nacional de Meteorologia (Inmet), em Brasília.

Guedes Pinto afirmou que o Brasil duplicou a produção de grãos nos últimos 15 anos, tendo aumentando em apenas 20% a área plantada. O ministro citou também os milhões de hectares que já foram utilizados e hoje são terras em descanso. Quanto à área de pastagem, ele disse que a tecnologia existente pode reduzir cada vez mais a necessidade do uso da terra para plantação de capim.

“Eu diria que a situação é preocupante, que merece ser estudada detalhadamente. Essa discussão deve ser qualificada, deve ser feita com base no conhecimento científico hoje existente.”

O técnico da área de meio ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Carlos Filho, afirmou que a entidade vai procurar cientistas e setor público para descobrir qual é a influência da agricultura no aquecimento global.

“Acreditamos que não só a agricultura, mas todos os setores, não só o industrial, não só o comercial, mas também a própria população estão ligados a esse problema do aquecimento”, reconheceu o técnico.

O pesquisador do Inpe José Marengo, que apresentou ontem um estudo sobre as mudanças climáticas e seus efeitos sobre a biodiversidade brasileira, destacou no seminário os principais pontos do relatório do Painel Intergovernamental para Alterações Climáticas (IPCC).

Divulgado no começo do mês em Paris, na França, o documento prevê que até o fim deste século a temperatura da terra suba até 4 graus. O nível dos oceanos, segundo o relatório, vai aumentar de 18 para 59 centímetros, o que poderá levar 200 milhões de pessoas a abandonarem sua casas. O documento diz ainda que as chuvas devem aumentar cerca de 20% e que o aquecimento será mais sentido nos continentes.

Sobre a influência das previsões do IPCC na agricultura brasileira, Marengo afirmou que a agricultura de subsistência do Nordeste pode ser a mais comprometida. Já no Sul e no Sudeste, regiões que usam mais tecnologia e variedades de sementes melhoradas, o impacto deverá ser menor.

“É possível combater a mudança climática ou se adaptar às mudanças climáticas com novas variedades, ou mudar um pouco o tipo de cultura, ou mudar as áreas a serem cultivadas", sugeriu o pesquisador do Inpe.

"Já o Nordeste é um problema porque se não chove não tem agricultura de subsistência e a população, ou fica imóvel, ou muda para outras cidades. Ou seja, o impacto existe, só que algumas regiões podem enfrentar melhor o problema do que outras.”
 

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