Mudança na legislação trabalhista pode restringir capacidade de abate dos frigoríficos brasileiros e comprometer o atendimento a novos mercados internacionais
Fim da escala 6×1 ameaça oferta de aves e suínos, alerta ABPA

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) alertou nesta segunda-feira (19) que o fim da escala de trabalho 6×1 reduzirá a capacidade produtiva do setor. A entidade afirma que a alteração legislativa pode gerar um déficit severo de mão de obra para o processamento e abate, afetando diretamente a disponibilidade de produtos avícolas e suínos no mercado interno e externo.
O alerta da entidade ocorre em um momento crítico de expansão das habilitações internacionais, que exigem maior volume de processamento nas plantas frigoríficas. A China oficializou a abertura de seu mercado para a importação de miúdos de suínos oriundos do Brasil. A habilitação representa um avanço estratégico para os frigoríficos, agregando valor à carcaça e ampliando o potencial de receita. No entanto, a extração e o preparo de miúdos demandam uso intensivo de mão de obra nas linhas de desossa e embalagem, setor que seria diretamente estrangulado pela redução da jornada de trabalho.
O impacto potencial ganha contornos mais graves ao se observar o peso do setor na balança comercial. Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que as exportações totais do Brasil acumularam US$ 284,6 bilhões e 642,3 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2026. A proteína animal é um dos pilares deste superávit, e qualquer interrupção no ritmo de abate compromete o cumprimento de contratos internacionais já firmados.
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Enquanto a indústria de carnes enfrenta a ameaça de gargalos trabalhistas, outras cadeias de proteína buscam destravar investimentos por meio de simplificação regulatória. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) estabeleceu novas diretrizes para o licenciamento ambiental de projetos aquícolas no Brasil. A atualização normativa visa dar maior segurança jurídica aos produtores de peixes, contrastando com o cenário de incerteza operacional que paira sobre a avicultura e a suinocultura.
Da Redação
























