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Nutrição

Ácido guanidinoacético consolida-se como ferramenta multi-espécie na nutrição animal

Antes associado apenas ao ganho de peso na avicultura tradicional, aditivo ganha protagonismo no metabolismo energético de perus, suínos e na qualidade final da carne

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Ácido guanidinoacético consolida-se como ferramenta multi-espécie na nutrição animal

O ácido guanidinoacético (GAA) consolidou sua reputação na nutrição avícola graças aos excelentes resultados produtivos que entrega na criação de frangos de corte. No entanto, o mercado está testemunhando uma evolução importante. O interesse pelo GAA hoje vai muito além de sua aplicação original: ele deixou de ser visto apenas como um aditivo de desempenho para se posicionar como uma ferramenta nutricional estratégica, essencial para o metabolismo energético de diversas espécies e em diferentes fases da vida animal.

O Motor Energético por Trás do Crescimento Rápido

A justificativa para o uso do GAA é puramente biológica e muito precisa: ele é o único precursor imediato da creatina no organismo dos animais vertebrados.

Como a creatina desempenha um papel central no armazenamento e na transferência de energia para as células, suplementar a ração com GAA ajuda a sustentar tecidos que possuem uma demanda metabólica extremamente alta e variável — como é o caso dos músculos de crescimento rápido.

Em sistemas modernos de produção, onde o potencial genético das aves exige o máximo de eficiência e o desenvolvimento muscular é intenso, esse suporte energético faz toda a diferença.

A eficácia do GAA já foi amplamente chancelada pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) para frangos de corte, aves de postura e matrizes reprodutoras, provando que a tecnologia é uma ferramenta prática para a avicultura comercial em larga escala.

A Expansão para a Criação de Perus

Agora, os holofotes do setor técnico estão se voltando para os perus. Recentemente, a União Europeia expandiu a autorização de uso do GuanAmino (preparação comercial de GAA da Evonik) para abranger perus de engorda e de reprodução. O uso foi aprovado tanto na ração completa (com inclusão de 600 a 1.200 mg/kg) quanto na água de bebida (de 300 a 600 mg/L).

Os dados de campo validados pela EFSA são robustos. Em um ensaio de 42 dias com perus jovens, as aves alimentadas com GAA apresentaram ganhos zootécnicos expressivos:

  • Ganho de Peso: O peso corporal final saltou de 2.633 g (grupo controle) para 2.708 g nas aves que receberam 800 mg/kg de GAA na ração.

  • Eficiência: O ganho de peso diário aumentou consideravelmente e a conversão alimentar foi otimizada.

  • Segurança: O painel de especialistas concluiu que o aditivo é totalmente seguro para os animais nas dosagens recomendadas.

Esse avanço regulatório e científico prova que o potencial do GAA também se estende aos suínos, onde o interesse pela suplementação vem crescendo pelos mesmos princípios de eficiência energética.

O Combate às Miopatias no Peito do Frango

Outro gargalo que o ácido guanidinoacético ajuda a resolver é a qualidade final da carne. A avicultura moderna sofre com as chamadas miopatias (anomalias no tecido muscular), conhecidas comercialmente como peito amadeirado (woody breast), estrias brancas (white striping) e peito espaguete (spaghetti meat). Essas condições depreciam o produto e reduzem a aceitação do consumidor no supermercado.

Como o GAA atua diretamente na síntese de creatina, ele melhora a homeostase (o equilíbrio dinâmico) de energia dentro das células musculares durante a fase de crescimento rápido do frango. Dados compilados pela indústria mostram que lotes suplementados com GAA apresentam uma incidência significativamente menor dessas anomalias, protegendo a integridade da carne e o rendimento de frigorífico.

Nutrição Materna: Benefícios que Vêm do Ovo

Por fim, os benefícios do GAA começam antes mesmo do nascimento. Estudos de nutrição materna indicam que alimentar as galinhas reprodutoras (matrizes) com GAA enriquece a qualidade dos ovos.

Esse manejo aumenta a deposição de creatina na gema, elevando as reservas de energia do embrião. Como resultado, observa-se uma melhora na taxa de eclosão (nascimento) e pintinhos mais fortes. Os embriões vindos desses ovos enriquecidos apresentam maior concentração de creatina no fígado, no saco vitelino e no peito, gerando fibras musculares mais resistentes a miopatias no futuro.

O panorama atual deixa claro que o GAA mudou de patamar. Ele saiu da caixa de “aditivo para ganho de peso em frangos” e consolidou-se como uma solução multifuncional focada em qualidade de carne, saúde celular e produtividade multiespécie.

Fonte: Poultry World

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