Veja aqui o artigo de Décio Luiz Gazzoni, em defesa dos pesquisadores científicos.
Sou pesquisador (não desisto nunca)
Da Redação 08/04/2005 –
Décio Luiz Gazzoni: pesquisa científica acima de recompensas
Deu no Estadão
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A crer no Estadão (OESP de 29/3/05, pg B2), o governo realmente confia que pesquisador não desiste nunca. Reproduzo a íntegra da nota Discrepância, publicada na coluna Direto da Fonte: “O secretário da Agricultura de São Paulo, Duarte Nogueira Jr., inaugurou ontem, em Ribeirão Preto, um centro de pesquisa de cana (vinculado ao tradicional IAC). Para trabalhar ali, contratou nove cientistas, todos com mais de dez anos de experiência e doutorado. Salário líquido: R$ 1.200. Ao saber disso, um usineiro olhou para outro, surpreso. Afinal, eles pagam para seus cortadores de cana algo entre R$ 800 e R$ 1.300. Boris Casoy diria: “Isto é uma vergonha!” Durante a solenidade, alguns cientistas comentavam que o último aumento que receberam do governo do Estado foi em 21/9/99.
Investimento
Nada contra cortadores de cana, que conquistam o pão e o leite da família com o suor do rosto e o sangue das mãos. Mas justiça social se faz por cima e não por baixo pague-se aos dois R$ 10.000. Pesquisadores e cortadores não reclamarão! Alguém sabe quanto custa apenas o diferencial de estudo de um doutor, com 10 anos de experiência? Entre o custo pago pela família, pelo próprio e pelo Estado, varia de R$ 300.000,00, se cursou a pós-graduação no Brasil, a mais de R$ 1.000.000,00, se foi um privilegiado que estudou no exterior. A amortização (R$ 300.000 divididos por R$ 1.200 mensais) se dará em 250 meses e o retorno do investimento será de apenas 14 anos de salário (R$ 201.600,00). Ou seja, 70% em 35 anos (2% ao ano). Alguém aí investiria este valor para obter 2% a.a. em 35 anos – se os juros do BC estão em 19% a.a.? Os doutores que investiram na sua formação acima de R$ 500.000,00, terão retorno negativo!
Quem ganhou?
O Brasil é o maior produtor mundial de álcool e açúcar. E o mais competitivo: países ricos só competem conosco à custa de pesados subsídios. Viabilizamos o maior programa de energia renovável do mundo o álcool automotivo. Nesta safra serão 15 bilhões de litros de álcool. Em 10 anos, produziremos 30 bilhões. Este ano, exportaremos US$ 500 milhões. Em 10 anos, talvez cinco vezes mais dependerá do preço de mercado. O negócio cana de açúcar cresceu e expandiu, fez a riqueza de muitas regiões, gerou centenas de milhares de empregos ao longo da cadeia negocial, movimenta bilhões de reais por ano. Gerou renda, protegeu o ambiente, rend eu tributos para o governo, divisas para o País, angariou espaço estratégico na geografia do agronegócio.
Tecnologia
Diversos fatores contribuíram para o sucesso da cana, mas a tecnologia fez a diferença. A tecnologia agrícola aumentou a produtividade e o teor de açúcar. Expandiu a produção e viabilizou novas áreas. As tecnologias de processo expandiram a produtividade, a qualidade e a competitividade; a co-geração de energia descortinou oportunidades ímpares de rentabilidade. Nos bastidores dessas conquistas, sempre havia um pesquisador.
A recompensa
Além da sensação de missão cumprida, pouco mais receberam os pesquisadores, aqueles que não desistem nunca. A maioria deles, ligados a instituições públicas. Por falar nisso, quantos leitores repararam que, no auge da discussão sobre o aumento severino de 75% na remuneração dos deputados, alguém chamou a atenção de que o governo federal enviou ao Congresso Nacional proposta de reajuste de 0,1% (zero vírgula um por cento!) nos salários dos servidores públicos? Afinal, qual era a vergonha maior: o aumento severino dos deputados ou a proposta inadjetivável para o funcionalismo?





















