A paranaense GEO Energética mantém negociações avançadas com quatro grupos sucroalcooleiros do Centro-Sul para usar resíduos da cana de menor valor agregado na geração de energia.
GEO Energética aposta em resíduos de cana de baixo valor

A paranaense GEO Energética mantém negociações avançadas com quatro grupos sucroalcooleiros do Centro-Sul para usar resíduos da cana de menor valor agregado, como vinhaça e torta de filtro, na geração de energia. O processo desenvolvido permite a fabricação de um biogás que pode ser convertido em eletricidade ou biometano, este último com características químicas equivalentes às do gás natural veicular, segundo Alessandro Gardemann, diretor da empresa.
Até o momento, foram investidos R$ 35 milhões em pesquisas e na operação da primeira planta em uma usina do Paraná – entre recursos próprios (R$ 16,25 milhões) e de financiamento do BNDES (R$ 18,75 milhões). Se conseguir fechar contratos com pelo menos três novas usinas, esse montante poderá subir nos próximos dois anos para R$ 360 milhões, dependendo das condições firmadas no contrato. “A usina pode entrar como sócia no investimento ou pode apenas ceder os resíduos”, explica Gardemann.
Na última modalidade, detalha o executivo, a usina recebe em troca o adubo concentrado resultante do reprocessamento dos resíduos e elimina a necessidade de fazer a própria compostagem. “Também ficamos responsáveis pelo transporte da palha do campo até a nossa planta”.
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Na usina parceira do Paraná, da Cooperativa Agrícola Regional de Produtores de Cana (Coopcana), foi implantada uma capacidade para 4 megawatts de eletricidade. No fim deste ano começam as obras para ampliar a unidade para 16 MW, que demandarão mais R$ 35 milhões da empresa. Com maior oferta de resíduos, a capacidade da planta poderá chegar a 40 MW. Uma vez fechado negócio com as três novas parceiras, a GEO Energética conseguirá alcançar em 2014 uma capacidade instalada total de 110 MW.
O processo da bioenergética não usa o bagaço de cana como fonte de energia, mas apenas a torta de filtro, a vinhaça (resíduos do processo industrial) e a palha da cana (resíduo agrícola), itens hoje de menor ou quase nenhum valor comercial, explica o diretor da empresa, Evaldo Fabian.
Uma usina como a Coopcana, que processa 3,5 milhões de toneladas de cana por safra, produz resíduos (torta de filtro, palha e vinhaça) suficientes para atingir uma produção de 40 MW de eletricidade ou 200 mil litros de gás natural renovável, explica Fabian.
A tecnologia usada pela GEO Energética se assemelha ao conceito dos biodigestores usados na suinocultura – que usam o dejeto do suíno para extrair eletricidade. Mas com o adicional de ter uma escala muito maior e de usar o controle da temperatura, pressão e de aditivos para otimizar a produção energética.
A planta desenvolvida pela empresa contempla a mistura de resíduos sólidos e líquidos. O gás é gerado dentro de um reator e a energia é canalizada para uma subestação construída junto à usina. “Uma unidade com 30 MW de capacidade demanda investimentos de R$ 120 milhões, já incluindo a subestação e a ligação até o sistema elétrico nacional”, diz Gardemann.
Quando a GEO Energética foi idealizada, em 2000, avaliou-se a produção de energia a partir de resíduos urbanos. “Mas percebemos que o resíduo agrícola tem uma capacidade de geração de gás quatro vezes maior”, lembra Gardemann.
A partir de 2004, a empresa decidiu por focar no segmento de cana-de-açúcar, dado o tamanho da oferta de biomassa. “Se você considerar a capacidade instalada de todo o setor canavieiro do Centro-Sul [600 milhões de toneladas de cana], a geração desses resíduos é suficiente para implantar capacidade de produção de 7 mil MW (equivalente a duas usinas de Belo Monte) ou produção de 30 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, durante 360 dias por ano. É metade do que o Brasil consome anualmente”, contabiliza Gardemann.
Ele acredita que, se houver uma adesão em massa do segmento sucroalcooleiro à conversão de resíduos em energia, a pegada de carbono do etanol de cana do Brasil poderia aumentar consideravelmente. “O Cenbio [Centro Nacional de Referência em Biomassa] fez um estudo que mostra que se substituísse o uso do diesel nas frotas de máquinas das usinas, o etanol de cana poderia emitir, dentro dos padrões do EPA americano, 95% menos gases poluentes que a gasolina, ante os atuais 61,2%. O percentual seria maior que a redução de emissão do próprio etanol celulósico, que é de 90%”, calcula.





















