O Brasil embarca suco de laranja, café e carnes para os EUA, produtos que não tiveram sobretaxa
Cenário para Brasil ainda é favorável em relação a tarifaço de Trump

Dos males, o menor. A política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de novas tarifas para produtos importados, indica um cenário favorável para o Brasil até o momento. Por enquanto, o Brasil foi taxado com uma alíquota de 10% para a maioria dos produtos, e em 50% no caso do aço e do alumínio.
Trump anunciou na segunda-feira o envio de cartas a 14 países, impondo novas tarifas de importação a partir de 1º de agosto, caso os países não aceitem negociar acordos comerciais. O presidente americano também ameaçou taxar as importações dos Brics em mais 10%, caso os países adotem políticas para “destruir o dólar”, nas palavras do próprio Trump.
“Até aqui, se tudo continuar como está, para o Brasil é o melhor cenário, porque os EUA nos impuseram as menores taxas”, avalia o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Instituto Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice) e que já representou o Brasil em Londres e Washington.
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Barbosa acrescenta que a ameaça de taxar os Brics está ligada à ideia do bloco substituir o dólar por outra moeda. Mas nada foi discutido a esse respeito na reunião dos países mais recente.
Em relação às cartas enviadas aos 14 países, a atenção recai, os casos mais relevantes são do Japão e da Coreia, devido ao volume de entregas para os Estados Unidos, principalmente no setor automotivo, observa Barbosa. “Pelo que foi anunciado, Coreia e Japão estão negociando com o governo americano. É preciso aguardar a evolução das discussões”, afirmou o embaixador.
Novos acordos
Carlos Cogo, da Consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, diz que os países devem negociar novos acordos comerciais com os EUA para evitar as novas tarifas. Mas se houver retaliação, Japão e Indonésia podem fazer o mesmo que a China e desviar para o Brasil as compras que faziam dos Estados Unidos, sobretudo de grãos, algodão e carnes.
“A China tem se abastecido de soja no Brasil e isso tem garantido prêmios para o produto brasileiro e estimulado o produtor a fazer vendas nos mercados físico e futuro”, diz o analista.
Cogo acrescenta que as vendas para o primeiro semestre de 2026 estão sendo feitas com prêmio, quando historicamente a soja é vendida com desconto nessa época do ano.
Em relação a outras commodities que o Brasil exporta para os Estados Unidos, a tarifa de 10% imposta por Trump não teve impacto nos embarques, segundo Cogo. O Brasil embarca suco de laranja, café e carnes para os EUA. “Os Estados Unidos não têm fornecedores alternativos, acabam comprando do Brasil mais caro, por causa da tarifa, e repassando o custo para os consumidores americanos. Para nós o impacto é bem limitado”, observa Cogo.
Fonte: Globo Rural





















