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Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 8,60 / kg
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Frango - Indicador SPR$ 7,29 / kg
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Saúde Animal

Nove anos após aftosa, Rio Grande do Sul quer abolir vacinação

Com medida, o RS espera abrir mercados como Estados Unidos e Japão para carne in natura. Processo não deverá ser rápido. Estado precisa reforçar o sistema interno de controle sanitário.

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Dez anos depois da última tentativa frustrada, o Rio Grande do Sul volta a debater a possibilidade de suspender a vacinação contra a febre aftosa para obter, da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o status de zona livre da doença sem imunização. O objetivo, novamente, é abrir as portas de mercados importantes como os Estados Unidos e Japão para o produto gaúcho in natura. Mas desta vez o setor prega cautela para evitar a frustração de 2000.

“O Estado está pronto para iniciar a discussão, mas não é um processo rápido”, diz o consultor da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Luiz Alberto Pitta Pinheiro, que de 1993 a 2005 foi coordenador-adjunto do Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa) no Brasil. “O status de região livre da doença sem vacinação é interessante, mas o trabalho tem que ser muito bem estruturado e com garantias muito grandes”, reforça o presidente do Sindicado das Indústrias de Carnes do Estado (Sicadergs), Ronei Lauxen.

O assunto será debatido em audiência pública da comissão de agricultura e pecuária da Assembleia Legislativa na quinta-feira a pedido do deputado Jerônimo Goergen (PP), que é ligado ao setor primário. Hoje o Rio Grande do Sul é considerado livre da doença com vacinação, e o argumento do parlamentar para trazer à tona o debate sobre a evolução do status sanitário é que em julho o Estado completará nove anos após a extinção do último dos focos da doença que surgiram entre 2000 e 2001.

Com quase 14 milhões de cabeças de gado, praticamente 7% do rebanho brasileiro, os gaúchos vacinam os animais em maio e em novembro repetem a dose para aqueles com menos de 24 meses de idade. Para suspender a vacina, o governo estadual precisa submeter um plano de controle ao aval do Ministério da Agricultura e, se um ano depois da suspensão não for registrado nenhum caso da doença, o próprio ministério encaminha à OIE o pedido de reconhecimento da área como livre da doença sem vacinação.

O setor também não quer ficar isolado na região Sul. Santa Catarina é considerada livre de aftosa sem vacinação desde maio de 2007 e o Paraná já apresentou o pedido de fim da imunização. “Se o Estado vacina eternamente, passa a ideia de que não tem segurança”, concorda o superintendente do ministério no Rio Grande do Sul, Francisco Signor. Segundo ele, a superintendência está pronta para ajudar a elaborar um programa de retirada da vacina e de um plano de contingência para o caso de algo dar errado durante o processo.

Mas a medida deve levar ainda em consideração algumas questões regionais, afirma Pitta Pinheiro. Uma preocupação, segundo ele, é com a Bolívia. Embora não tenha fronteira com o Estado nem registros de focos desde 2007 e seja considerado livre da doença com vacinação, o país assusta devido à desestruturação do serviço sanitário e aos conflitos entre os governos departamentais e o governo central nos últimos anos. O Uruguai e a região da Argentina fronteiriça com o Rio Grande do Sul também são livres da enfermidade com vacinação.

Para reduzir o risco de contaminação, seja dentro do Estado ou a partir de outra região, o Rio Grande do Sul precisa ainda reforçar o sistema interno de controle sanitário, incluindo o aumento do número de fiscais estaduais e federais, entende Pitta Pinheiro.

Conforme o secretário estadual da Agricultura, Gilmar Tietböhl, a secretaria dispõe de 400 técnicos alocados neste serviço, mas para garantir um sistema de vigilância durante 24 horas por dia o contingente teria que dobrar.

“Num futuro próximo queremos o Rio Grande do Sul sem vacinação, mas precisamos de cautela”, afirma Tietböhl, lembrando que o trabalho também depende do governo federal, que é o responsável pela fiscalização das fronteiras internacionais. Segundo Signor, assim como a secretaria o Ministério da Agricultura tem 400 fiscais no Estado e o ideal seria um número maior, mas ele lembra que o controle das fronteiras é feito com o apoio da Polícia Federal.

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