Exportações do agro batem recorde em 2023, mas desafios emergem para 2024

O valor das exportações do agronegócio brasileiro atingiu novo recorde nominal em
2023, somando US$ 167 bilhões, alta de 5% em relação ao ano anterior (US$ 159 bilhões),
conforme análise do Insper Agro Global com base em dados da Secex1. Apesar do
crescimento mais modesto em relação ao ocorrido em 2021 e 2022, o valor representa um
novo recorde nominal histórico das exportações do agro brasileiro.
A marca é resultado principalmente da safra recorde de grãos do ciclo 2022/23 que
passou de 320 milhões de toneladas, segundo dados da Conab. Os preços das
commodities agropecuárias, de modo geral, registraram queda ao longo de 2023, tanto por
uma maior acomodação do mercado em relação aos choques recentes – como a pandemia
e a guerra entre Rússia e Ucrânia – quanto pela maior oferta de produtos. No entanto,
ainda permanecem em patamar elevado se considerarmos os ciclos imediatamente
anteriores a estes eventos

O marco é resultado, principalmente, da safra recorde de grãos no ciclo 2022/23, que alcançou a marca de 320 milhões de toneladas, segundo dados da Conab. Apesar da diminuição nos preços das commodities agropecuárias ao longo de 2023, devido à estabilização do mercado após eventos como a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços permaneceram elevados em comparação aos ciclos imediatamente anteriores a esses eventos.
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No que diz respeito aos produtos, houve destaque para os aumentos nas exportações de açúcar (35%) e milho (11%) em comparação aos anos anteriores. O crescimento nas exportações de açúcar foi impulsionado por preços internacionais favoráveis devido à menor oferta global. Quanto ao milho, o crescimento reflete a maior produção no ano e a demanda sólida da China e do Vietnã, com a China permitindo a importação de milho brasileiro no final do segundo semestre de 2022. Outros destaques incluem aumentos nas exportações de soja (11%), carne de frango (1,2%), carne suína (9%) e suco de laranja (23%).
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Observou-se quedas significativas nas exportações de algodão (-12%), produtos florestais (-13%), café (-13%) e carne bovina (-19%) em comparação aos resultados de 2022 e 2023. O algodão enfrentou uma oferta global abundante em 2023, resultando em preços em declínio devido ao aumento dos estoques globais. No caso do café, a redução foi influenciada pela queda nos preços internacionais, juntamente com uma colheita menor no ciclo 2022/23. Produtos florestais, incluindo celulose, papel e madeira, registraram menores exportações devido à queda nos preços internacionais. O mercado de carne bovina foi afetado pela suspensão dos embarques para a China no início de 2022, devido a um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme (“Vaca Louca”) registrado em fevereiro, além da queda nos preços da arroba do boi, intensificada pelo grande volume de animais abatidos no ano.

Nota: “Carnes” incluem as carnes bovina, de frango, suína, pescados, produtos de carne, gordura animal, ovos e couros e peles. *Os CAGR calculados para o milho e para o algodão correspondem ao período de 2001 a 2023.

Em relação aos principais mercados de destino, China e Hong Kong experimentaram um crescimento de 19% em relação a 2022 (US$ 10 bilhões), alcançando uma receita recorde de exportações de US$ 63 bilhões em 2023, representando 38% do total exportado pelo agronegócio brasileiro. Os mercados asiáticos, de forma geral, superaram a União Europeia em representatividade (16%) em 2023, enquanto a União Europeia e o Reino Unido registraram uma queda correspondente a 14% no valor total dos embarques. EUA e Japão também apresentaram quedas de 6% e 2%, respectivamente, em comparação com 2022. O destaque vai para o aumento nas exportações do Brasil para a Argentina (64%) em 2022, país que integra o grupo “América Latina” e evoluiu 21% entre 2022 e 2023, impulsionado principalmente pela busca da Argentina pela soja brasileira para atender às suas indústrias locais de moagem para a produção de farelo e óleo.
As importações do agronegócio brasileiro caíram 16% em relação a 2022, com uma queda significativa no valor das importações de trigo (-37%). Também houve uma redução nas importações de insumos (fertilizantes, pesticidas, medicamentos agropecuários e máquinas e equipamentos), que diminuíram de US$ 38 bilhões em 2022 para US$ 27 bilhões em 2023. Apesar desses resultados, os números permanecem elevados quando observamos a série histórica.
Para 2024, é previsto um cenário desafiador. A produção da safra 2023/24 deverá ser menor devido aos efeitos do El Niño e questões climáticas que atrasaram o plantio no início das safras de verão. Segundo a última estimativa da Conab, a produção de grãos deverá diminuir em 13,5 milhões de toneladas em comparação com a safra 2022/23. Nos EUA e na Argentina, espera-se um aumento na produção ao longo de 2024, o que pode exercer pressão baixista sobre os preços e levar a um aumento nos estoques.
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Além disso, indicadores que refletem a demanda global indicam um crescimento mais moderado para 2024. A economia mundial deverá crescer 2,4% neste ano, segundo dados do Banco Mundial, um ritmo ainda abaixo da média histórica pré-pandemia de 3,1% ao ano. Embora se espere um crescimento mais moderado em regiões importantes, também é prevista uma maior demanda internacional por produtos alimentícios, segundo projeções do Banco Mundial.
Assim, o cenário para 2024 é mais cauteloso, destacando a importância de os agentes do setor estarem atentos aos sinais do mercado e a fatores que possam impactar os resultados de maneira positiva ou negativa. Apesar dos desafios, a velocidade de resposta às mudanças conjunturais no agronegócio brasileiro, especialmente nos setores exportadores, tem sido notável.
Fonte: Insper Agro Global. Autores: Leandro Gilio, Marcos Sawaya Jank, Cinthia Cabral da Costa, Victor Martins Cardoso e Pâmela Borges





















