Descubra a contribuição do manejo e tratamento de dejetos na Suinocultura Industrial de Julho para a mitigação das mudanças climática
Contribuição do manejo e tratamento de dejetos na Suinocultura Industrial de Julho

Nas últimas décadas, observou-se um aumento na frequência e intensidade das anomalias climáticas e eventos extremos a nível global. Esses fenômenos fornecem evidências substanciais do agravamento das mudanças climáticas associadas ao aquecimento global e alimentam discussões sobre a necessidade de reduzir as emissões de gases poluentes, visando mitigar os impactos ambientais adversos. De acordo com o observatório europeu Copernicus, fevereiro de 2025 foi o terceiro mês mais quente já registrado, com temperatura 1,59 °C acima dos níveis pré-industriais. Foi o 19º mês em 20 meses a ultrapassar 1,5 °C, se aproximando ou excedendo temporariamente o limite estabelecido pelo Acordo de Paris.
Ainda, segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mantendo-se a tendência atual de produção e as emissões recordes de Gases de Efeito Estufa (GEE) registradas globalmente, a temperatura do planeta poderá aumentar entre 2,5 ºC e 3 ºC até o final do século. Este cenário é altamente preocupante e exige ações prementes para a sua reversão. Conforme o PNUMA, para limitar o aquecimento global à meta de 1,5°C, as emissões de GEE precisam ser reduzidas em 42% até 2030, em comparação com os níveis de 2019, ou 7,5% ao ano até 2035.
Analisando o panorama de emissões de GEE do Brasil, observa-se que, após a mudança no uso da terra e florestas, a agropecuária ocupa a segunda posição entre as categorias de maior peso. O setor é responsável por 28% das emissões totais. Desse percentual, a agricultura representa 20% (127,6 MtCO2e), enquanto a pecuária responde por 80% (503,5 MtCO2e), com a maior contribuição advinda da fermentação entérica (ruminantes). A suinocultura contribui principalmente com as emissões do manejo e tratamento de dejetos. Sem medidas de mitigação, essas emissões tendem a crescer anualmente, impulsionadas pelo aumento da demanda por alimentos decorrente do crescimento populacional.
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Como parte da atividade pecuária brasileira, a suinocultura tem crescido vigorosamente nas últimas décadas, apresentando altos níveis de produtividade. Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor de carne suína do mundo, ficando atrás apenas da China, União Europeia e Estados Unidos. O país responde por 4% da produção global e registrou um aumento de 43% nas exportações dessa proteína nos últimos dez anos. Em 2024, o Brasil exportou 1,3 milhões de toneladas de carne suína, gerando uma receita de três bilhões de dólares (Figura 01), consolidando o setor como um dos mais importantes para o agronegócio brasileiro.Sob a perspectiva de elevado consumo mundial de carne suína e da relevante participação do Brasil entre os principais países produtores e exportadores da proteína, muito se tem discutido sobre os impactos ambientais gerados nessa cadeia produtiva. Ao longo do seu processo de expansão, a suinocultura desenvolveu pontos fortes que sustentam expectativas otimistas para o futuro, como o melhoramento genético, a biosseguridade e a nutrição animal. Contudo, os desafios para manter o equilíbrio entre produtividade e responsabilidade ambiental tendem a se intensificar.
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