Morcegos e granjas de suínos no norte da Itália: entenda os benefícios ecológicos e os riscos sanitários associados a essa convivência
Morcegos e granjas de suínos no norte da Itália: benefícios ecológicos e riscos sanitários

No norte da Itália, pelo menos oito espécies de morcegos (Chiroptera) utilizam as áreas ao redor de granjas de suínos. Embora essa convivência possa gerar benefícios ecológicos, a ausência de barreiras físicas adequadas e falhas nas medidas de biossegurança representam um risco residual de transmissão interespecífica de vírus, segundo estudo do Instituto Italiano de Saúde Animal, Segurança Alimentar e Zoonoses (IZSVe).
De acordo com o instituto, o reforço das práticas de biossegurança pode reduzir a exposição a diferentes coronavírus (CoV) e, de forma mais ampla, a vírus associados à fauna silvestre. Isso contribuiria para uma convivência mais segura entre humanos, animais domésticos e animais selvagens.
Morcegos como reservatórios virais
Os morcegos são reconhecidos como reservatórios naturais de diversos coronavírus, alguns dos quais podem ter originado vírus de importância sanitária para humanos e animais de produção, como o SARS-CoV-2 e o vírus da diarreia epidêmica suína. Apesar disso, os mecanismos e a dinâmica de transmissão desses vírus para animais de criação ou pessoas ainda são pouco compreendidos.
Leia também no Agrimídia:
- •Licenciamento ambiental impulsiona suinocultura e fortalece produção sustentável no Acre
- •Exportações de carne suína na Europa crescem em 2025
- •Integração entre C.Vale e Frimesa amplia produção de suínos e leite no Sul do Brasil
- •Exportações de carne suína do Reino Unido crescem em 2025, impulsionadas pela China
O estudo do IZSVe
Pesquisadores do IZSVe conduziram um estudo para avaliar os fatores de risco de transmissão viral de morcegos para suínos, utilizando como modelo os coronavírus identificados em granjas selecionadas no norte da Itália.
Segundo Stefania Leopardi, veterinária sênior e coordenadora da pesquisa, a interface entre vida selvagem, gado e seres humanos é altamente permeável e pode favorecer o surgimento de doenças com potencial epidêmico. Ela ressalta que granjas de suínos podem atuar como pontos críticos para a emergência e disseminação de variantes virais recombinantes, capazes de ameaçar tanto a saúde animal quanto a humana.
Granjas como “oásis” para morcegos
O estudo também chama atenção para um aspecto positivo: em paisagens rurais dominadas pela agricultura intensiva, as granjas de suínos podem funcionar como verdadeiros oásis de conservação para morcegos, em ambientes onde a uniformidade do uso do solo tem reduzido a biodiversidade.
Nesses locais, os morcegos prestam um serviço ecossistêmico relevante, ao controlar populações de insetos nocivos, o que pode diminuir a necessidade do uso de pesticidas. Por outro lado, essa proximidade também aumenta o potencial de exposição de humanos e animais domésticos aos vírus que esses mamíferos podem carregar.
O estudo conclui que o desafio está em equilibrar conservação da biodiversidade e biossegurança, reforçando medidas preventivas nas granjas para minimizar riscos sanitários sem comprometer os benefícios ecológicos associados à presença dos morcegos.
Referência: Pig Progress





















