Participação do secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, durante reunião da Bolsa de Suínos da APCS reforça cenário de cautela para produtores e frigoríficos
Crise global, diesel em alta e risco de efeito cascata pressionam suinocultura, alerta governo

Durante reunião da Bolsa de Suínos “Mezo Wolters”, realizada pela Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, apresentou a visão do Governo Federal sobre os desafios que impactam diretamente a cadeia produtiva da suinocultura.
O encontro reuniu produtores, frigoríficos e empresas ligadas ao setor e evidenciou um momento de forte pressão sobre custos, com aumento da incerteza no mercado e preocupação crescente entre os agentes da cadeia.

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Guerra e mercado internacional ampliam riscos
Na avaliação do secretário, o cenário internacional segue como um dos principais fatores de instabilidade debatidos na Bolsa de Suínos da APCS. A tensão no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, e os riscos no Estreito de Hormuz impactam diretamente fluxos comerciais e custos logísticos.
“A agricultura brasileira está intrinsecamente ligada ao mercado internacional. Essa volatilidade externa reflete imediatamente aqui dentro”, afirmou Campos.
Ele destacou que países árabes representam parcela relevante das exportações brasileiras, o que amplia a preocupação com possíveis interrupções. Além disso, o secretário ressaltou que o cenário global ainda depende fortemente das decisões dos Estados Unidos, elevando o grau de incerteza para o agronegócio.
Diesel caro, frete e risco de paralisação
Outro ponto central discutido no encontro foi o aumento do diesel e seus impactos em cadeia. O custo do transporte já pressiona toda a produção, desde insumos até a entrega final.
“O aumento do combustível impacta diretamente o frete, que impacta o produto final. É uma tempestade perfeita”, pontuou.
A possível greve de caminhoneiros segue no radar do governo, que monitora o cumprimento da tabela de frete e busca evitar desabastecimento, preocupação compartilhada entre os participantes.
Efeito cascata e pressão inflacionária
O secretário alertou ainda para um efeito cascata na economia, com potencial de pressionar a inflação em toda a cadeia produtiva.
O aumento dos custos com combustível, transporte, insumos e nutrição animal tende a se refletir diretamente nos preços finais dos alimentos, ampliando o impacto não apenas na suinocultura, mas em toda a economia.
Impacto também atinge frango e ovos
Embora a suinocultura esteja no centro das discussões, Campos destacou que outras cadeias de proteína animal também sofrem os efeitos do cenário atual.
Setores como avicultura e produção de ovos, altamente dependentes de insumos e logística eficiente, já sentem os reflexos do aumento do diesel e da instabilidade no abastecimento. Segundo participantes, o cenário é de apreensão, com margens cada vez mais pressionadas e baixa previsibilidade no curto prazo.
Biocombustíveis e energia como alternativa
O governo aposta na ampliação dos biocombustíveis como estratégia para reduzir a dependência do diesel importado.
O aumento gradual da mistura de biodiesel e etanol segue em andamento, além do incentivo ao uso de biogás e metano gerado a partir da produção suinícola — alternativa vista como estratégica dentro do próprio setor.
Fertilizantes: impacto já aparece nos preços
A dependência de fertilizantes importados também entrou na pauta. Embora o impacto imediato seja limitado, os preços já refletem o cenário internacional.
“O impacto maior vem no médio prazo, mas os distribuidores já estão repassando aumentos mesmo em produtos já adquiridos”, explicou.
O uso de bioinsumos surge como alternativa crescente entre produtores.
Novos mercados e estratégia internacional
Na frente externa, o governo segue atuando na abertura de mercados, pauta reforçada durante a reunião.
Segundo Campos, mais de 500 novos mercados foram abertos nos últimos anos, além do fortalecimento da atuação de adidos agrícolas e do avanço em acordos internacionais, como o tratado entre Mercosul e União Europeia.
A estratégia busca reduzir a dependência de mercados tradicionais e ampliar oportunidades para a proteína animal brasileira.
Plano Safra e crédito sob pressão
Outro tema relevante foi o crédito rural. O Plano Safra, apesar de sua importância, atualmente cobre cerca de metade da demanda do setor.
A alta taxa de juros tem limitado a tomada de crédito, especialmente para investimentos. “O produtor está mais cauteloso diante desse cenário”, destacou o secretário.
Cautela em um cenário “nebuloso”
Ao final de sua participação, o secretário reforçou que o momento exige prudência por parte dos produtores e empresas.
“O cenário ainda é muito nebuloso. A recomendação é cautela, evitar decisões precipitadas e analisar bem antes de agir”, concluiu.

O encontro reforçou que, diante de um cenário global instável e custos em alta, a suinocultura brasileira entra em um período decisivo, no qual estratégia e cautela serão determinantes para a sustentabilidade da atividade.





















