O primeiro suíno clonado pela USP representa um avanço significativo na biotecnologia brasileira e no desenvolvimento de xenotransplantes.
Brasil avança na biotecnologia com primeiro suíno clonado pela USP

🐖 Brasil avança na biotecnologia com primeiro suíno clonado para pesquisa em transplantes
Projeto da USP abre caminho para produção de órgãos e redução da fila por transplantes
Pesquisadores da Universidade de São Paulo alcançaram um marco inédito na ciência nacional com a clonagem do primeiro suíno no Brasil, avanço considerado estratégico para o desenvolvimento de tecnologias voltadas ao xenotransplante — procedimento que prevê a utilização de órgãos de animais em humanos.
O animal nasceu saudável, com 2,5 kg, no laboratório do Instituto de Zootecnia, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, localizado em Piracicaba.
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Pesquisa mira solução para demanda por transplantes
A iniciativa integra o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP, idealizado por Silvano Raia, com potencial de impactar diretamente cerca de 48 mil brasileiros que aguardam na fila por transplantes.
O xenotransplante é estudado há décadas, mas avanços recentes na engenharia genética permitiram superar limitações históricas, como a rejeição aguda dos órgãos. Pesquisadores identificaram genes responsáveis por essa resposta imunológica e desenvolveram técnicas para desativá-los, além de inserir genes humanos que aumentam a compatibilidade entre espécies.
Clonagem é etapa-chave para produção em escala
A equipe dominou a modificação genética de células em 2022 e avançou para a etapa de clonagem, considerada um dos maiores desafios do projeto. A eficiência do processo ainda é limitada — entre 1% e 5% em centros internacionais —, o que reforça a relevância do resultado obtido no Brasil.
Segundo Ernesto Goulart, o sucesso foi alcançado após diversos testes e ajustes técnicos, permitindo a gestação completa do animal clonado.
Próximos passos envolvem testes com animais modificados
A próxima fase prevê a clonagem de suínos geneticamente modificados, etapa essencial para iniciar estudos pré-clínicos e, futuramente, aplicações em humanos. O objetivo é viabilizar a produção de órgãos em escala, reduzindo o tempo de espera por transplantes.
Para Jorge Kalil, coordenador do projeto, o avanço representa um passo importante, mas ainda há desafios científicos a serem superados. Ele destaca que o desenvolvimento nacional da tecnologia é estratégico para garantir acesso pelo sistema público de saúde, evitando custos elevados com importação.
O resultado posiciona o Brasil em uma fronteira avançada da biotecnologia, com potencial impacto tanto na medicina quanto na suinocultura de alta tecnologia.
Referência: Jornal USP/ G1/ Valor Econômico





















