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Tarifas dos EUA fazem agro perder espaço no mercado norte-americano

Participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras cai para 9,4%, o menor nível desde 1997; embarques de café recuam 34,8%

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Tarifas dos EUA fazem agro perder espaço no mercado norte-americano

As barreiras alfandegárias e sobretaxas impostas pelos Estados Unidos impactaram negativamente o agronegócio brasileiro no primeiro semestre. De acordo com o relatório do Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil, a fatia do mercado norte-americano nas exportações totais do Brasil encolheu para 9,4% — a menor participação registrada para o período desde o início da série histórica, iniciada em 1997.

O fluxo de comércio bilateral entre as duas nações movimentou US$ 36,4 bilhões entre janeiro e junho, representando um tombo de 12,8% em comparação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras para os EUA recuaram 13%, somando US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações vindas do mercado americano caíram 12,5%, totalizando US$ 19 bilhões.

Essa retração ocorre na contramão do desempenho global do Brasil: no mesmo semestre, as exportações brasileiras para o resto do mundo cresceram 11,5%, impulsionadas pelo apetite da China (+21,9%) e da União Europeia (+12,8%).

Café e celulose lideram perdas no campo

Dentro do portfólio do agronegócio, os produtos mais dependentes do canal norte-americano registraram perdas acentuadas sob o peso das barreiras comerciais:

  • Café não torrado: Despencou 34,8% em volume/receita na comparação anual;

  • Celulose: Registrou queda de 9,4% no período acumulado.

Segundo o levantamento da Amcham, o impacto punitivo das tarifas ficou evidente ao separar os grupos de mercadorias: os itens brasileiros submetidos a sobretaxas adicionais pelos EUA sofreram uma retração intensa de 16,6% no semestre, enquanto os produtos que operam sem tarifas extras recuaram bem menos, cerca de 8,7%.

Alerta para a investigação da Seção 301

O setor agropecuário e a indústria de alimentos processados observam o cenário com extrema cautela, temendo o desfecho de novas investigações tarifárias em andamento em Washington.

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, alerta o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.

Fora do agro, os setores industriais e extrativistas também amargaram prejuízos severos com o protecionismo americano no semestre, com quedas expressivas nos embarques de caminhões (-46,7%), madeira (-40,5%), cobre (-37,4%) e semiacabados de ferro e aço (-21,7%).

Junho traz reação tímida e desigual

Apesar do balanço semestral negativo, o mês de junho interrompeu uma sequência incômoda de dez meses consecutivos de quedas consecutivas no comércio bilateral. As exportações para os EUA cresceram 3,7% no mês em relação a junho do ano anterior.

No entanto, a recuperação foi altamente concentrada: o avanço foi puxado por bens não tarifados (como aeronaves e óleos combustíveis), que saltaram 35,8%. Por outro lado, o grupo de produtos agrícolas e industriais que sofrem com as tarifas adicionais continuou em declínio, recuando mais 17% em junho.

Fonte: CNN

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