Pressionada por quebras de safra, queda nos preços internacionais da soja e altos custos de produção, dívida acumulada do setor atinge R$ 38 bilhões
Recuperação judicial no agro salta 33% no primeiro trimestre de 2026

O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário de crescente estresse financeiro no início de 2026. Dados levantados pela NEOT Tecnologia e Informação revelam que os pedidos de recuperação judicial no setor deram um salto de 33% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2025, acendendo um alerta sobre a sustentabilidade de produtores e empresas da cadeia produtiva.
Os Números da Crise no Campo
O balanço dos primeiros três meses de 2026 desenha um quadro desafiador para o setor que é um dos motores da economia brasileira.
Pedidos de Recuperação Judicial: Foram registrados 517 processos entre janeiro e março de 2026, contra 389 no primeiro trimestre do ano anterior.
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Total de Procedimentos: Somando-se os sete pedidos de recuperação extrajudicial (que também subiram, eram quatro em 2025), o total de tentativas de reestruturação de dívidas chegou a 524, uma alta consolidada de 33,3%.
Passivo Acumulado: O volume total de dívidas das empresas e produtores em crise que buscaram proteção judicial atingiu a marca de R$ 38 bilhões no início deste ano, pressionando o fluxo de caixa de instituições financeiras e fornecedores de insumos.
Soja Lidera a Tempestade Perfeita
A cadeia produtiva da soja foi a mais impactada pelo ambiente adverso, concentrando 45,1% de todos os pedidos de recuperação judicial no período. O grão, principal commodity agrícola do país, foi alvo de uma combinação devastadora de fatores:
Clima (El Niño): O fenômeno provocou quebras significativas de safra em diversas regiões produtoras.
Mercado: Houve uma queda acentuada nas cotações internacionais da oleaginosa.
Custos: O preço dos insumos (fertilizantes e defensivos) manteve-se elevado, comprimindo as margens de lucro.
Múltiplos Fatores de Risco
Além da crise específica da soja, o levantamento da NEOT identificou uma série de outros gatilhos que levaram as empresas do agro à insolvência, muitas vezes ocorrendo simultaneamente em um mesmo negócio:
Inadimplência de compradores.
Restrição ao crédito bancário e dificuldade para alongar dívidas.
Exposição cambial sem proteção (hedge) diante da volatilidade do real.
Custos logísticos e fretes elevados.
Ciclo desfavorável de preços na pecuária de corte.
Alerta no Noroeste Paulista
O aumento das recuperações judiciais sinaliza tempos difíceis que podem impactar diretamente a economia de regiões dependentes do campo, como o noroeste do estado de São Paulo. Cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina abrigam polos importantes do agronegócio e podem sentir o reflexo da crise na redução do consumo local, afetando o comércio e os serviços. O cenário exige cautela e uma reavaliação rigorosa do risco de crédito por parte dos empresários da região.
Fonte: Folha de SP























