Cepea projeta menor disponibilidade de grãos de qualidade na safra 2026, exigindo repasse de custos na cadeia de proteína animal em meio ao avanço do plantio de verão
Clima afeta oferta de trigo e pressiona custos de ração animal no Brasil

O mercado brasileiro de trigo projeta uma menor oferta de grãos de boa qualidade na safra 2026, reflexo direto de condições climáticas desfavoráveis nas principais regiões produtoras do Sul do país. O cenário, monitorado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), indica uma provável elevação das cotações domésticas e um aumento da dependência de importações, fator que deve pressionar os custos de formulação de ração para a indústria de proteína animal.
A restrição na oferta interna de trigo de qualidade panificável frequentemente redireciona lotes inferiores para a nutrição animal, mas o volume total comprometido pelo clima exige atenção das agroindústrias. Paralelamente, o alívio nos custos de arraçoamento depende do avanço da safra de verão. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o plantio da safra de grãos 2026/2027 começou a avançar nas principais regiões produtoras do Brasil, impulsionado pelo retorno das chuvas, o que favorece o estabelecimento inicial das lavouras de soja e milho, principais componentes da ração.
No cenário internacional de grãos, a dinâmica de preços também reflete movimentações tarifárias. A China anunciou a redução das tarifas de importação sobre o milho dos Estados Unidos, parte de um acordo comercial estimado em até US$ 30 bilhões, embora tenha mantido as sobretaxas aplicadas à soja em grão norte-americana. O movimento chinês de facilitar a entrada do milho dos Estados Unidos pode acirrar a concorrência para o cereal brasileiro nos próximos meses, exigindo que as tradings nacionais ajustem seus prêmios de exportação.
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Simultaneamente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou um aumento expressivo de 49,8% nas inspeções semanais de soja para exportação no período encerrado em 24 de setembro, enquanto os embarques de milho e trigo registraram recuo. Na ponta da exportação de carnes, o mercado sul-americano mostra tração para compensar custos internos: a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a ApexBrasil estimam a geração de US$ 36,45 milhões em negócios para o setor após a participação na Expoalimentaria Peru. O evento em Lima movimentou US$ 2,87 milhões imediatos com a presença de exportadoras brasileiras, sinalizando demanda firme na região andina.
Da Redação
























