O setor pecuário do Reino Unido e o impacto do relatório sobre poluição e concentração da produção. Saiba mais!
Setor pecuário do Reino Unido reage a relatório sobre poluição e concentração da produção

Um novo relatório independente, encomendado pela The Wildlife Trust e produzido pela consultora Cumulus, concluiu que o setor pecuário do Reino Unido não está suficientemente preparado para lidar com a poluição na água e nos níveis de poluição nas áreas rurais. A indústria pecuária britânica, por sua vez, criticou o relatório e rebateu as alegações, afirmando que o setor é um dos mais regulamentados da agricultura.
O relatório, intitulado “Quantificando os riscos ambientais da produção de suínos e aves no Reino Unido”, aponta que a legislação atual é insuficiente para gerenciar os potenciais impactos da produção. Segundo o estudo, os resíduos da produção de suínos e aves somam cerca de 10,4 milhões de m³ por ano no Reino Unido, o que equivale a 4.160 piscinas olímpicas. O alto nível de nutrientes presente nos excrementos dificulta o uso sustentável desses resíduos. Além disso, mais de um terço da safra total de trigo do Reino Unido é cultivada para consumo de suínos e aves, e o uso de fertilizantes e pesticidas associado a essa produção traz riscos de poluição e maior pressão sobre a vida selvagem.
A pesquisa revelou que mais da metade da produção avícola da Inglaterra está concentrada em apenas 10 áreas municipais, enquanto a maior parte da produção suína do Reino Unido é ainda mais concentrada, localizada em apenas cinco autoridades locais. Essa produção intensiva representa um risco significativo de grandes níveis de resíduos altamente concentrados se acumularem nos rios e no meio ambiente.
Leia também no Agrimídia:
- •OMSA confirma Influenza Aviária em aves silvestres no Uruguai e reforça alerta sanitário na região
- •Alibem exporta carne suína para mais de 40 países e comercializa 160 mil toneladas por ano
- •Perfil do consumidor brasileiro muda em 2026 e exige novas estratégias do varejo
- •AVEC pede suspensão preventiva das importações de aves da China pela União Europeia
Liderança da Indústria Rebate Alegações
A diretora executiva da National Pig Association (NPA), Lizzie Wilson, reagiu ao relatório, afirmando que o setor suíno é “um dos setores mais altamente regulamentados da agricultura”, com diversas legislações ambientais em vigor. Ela também destacou que o setor suíno foi responsável por apenas dois incidentes de poluição no ano passado, de um total de 77 em toda a agricultura. A Sra. Wilson ressaltou que o setor utiliza mais de 1 milhão de toneladas anuais de subprodutos da cadeia de abastecimento alimentar humana, o que constitui cerca de 44% da ração total fornecida.
O diretor executivo do Conselho Britânico de Avicultura, Richard Griffiths, também rejeitou as conclusões do relatório, classificando-as como falsas. Ele afirmou que o relatório “demonstra uma falta de compreensão de como alimentamos a nação, por parte de uma organização que veria o país passar fome por sua ideologia”. Griffiths enfatizou que o impacto sobre a vida selvagem e o meio ambiente é uma consideração crucial em todas as atividades do setor, que são respaldadas pela ciência e regulamentadas por especialistas governamentais. Ele acrescentou que a maior parte do esterco é usada na geração de energia e o restante como fertilizante valioso para terras agrícolas.
O relatório, por outro lado, foi bem recebido por grupos ambientalistas como o River Action e o The Wildlife Trust, que defendem a necessidade de ações mais fortes e de um apoio maior do governo para que os agricultores façam a transição para um sistema de criação de suínos e aves menos poluente e mais integrado. O relatório também sugere que o governo utilize as Regras Agrícolas para a Água para desencorajar a poluição e que as regulamentações não sejam tratadas como opcionais.





















