Saiba mais sobre o COP 30 e o TFFF, incluindo o financiamento necessário para proteger as florestas do Brasil
COP 30: Tiraram o “coelho do chapéu” com o TFFF, por Jogi Humberto Oshiai

O principal plano do Brasil para proteger a Amazônia, peça central de sua agenda climática na COP30, tenta ganhar forma — com a Noruega desempenhando um papel-chave no lançamento do Tropical Forest Forever Facility (TFFF). No entanto, o financiamento inicial já demonstra que a ambição do projeto enfrenta obstáculos significativos: dos US$ 25 bilhões prometidos, apenas US$ 5 bilhões foram confirmados até agora.
O TFFF foi idealizado para apoiar a conservação de florestas ameaçadas em todo o mundo, criando um modelo inovador de financiamento climático. A proposta é aplicar os recursos em um portfólio diversificado, capaz de remunerar investidores e, ao mesmo tempo, recompensar países pela preservação de suas florestas. Cada hectare protegido geraria uma taxa, beneficiando nações como Brasil, Colômbia, Indonésia e República Democrática do Congo. A expectativa inicial é que os US$ 25 bilhões comprometidos possam ser alavancados para criar um fundo de US$ 125 bilhões — um volume capaz de gerar impactos ambientais substanciais.
Apesar da inovação, o TFFF enfrenta desafios concretos. O modelo depende de governança transparente, dados confiáveis sobre desmatamento e auditorias internacionais. A Noruega, por exemplo, não pretende fornecer mais de 20% do financiamento total, e o fundo precisa garantir pelo menos 100 bilhões de coroas norueguesas de outros doadores até 2026. Essas exigências mostram que há preocupação com a sustentabilidade financeira e indicam que a confiança internacional ainda é limitada.
Leia também no Agrimídia:
- •ABCS promove Escola de Gestores 2026 com foco em comportamento do consumidor e decisões estratégicas no mercado de proteínas
- •Porto de Paranaguá consolida liderança global na exportação de frango congelado em janeiro de 2026
- •Suinocultura registra queda de preços e depende das exportações para ajuste interno
- •Filipinas reduzem drasticamente casos de Peste Suína Africana e projetam avanço da suinocultura em 2026
O ceticismo é justificado. Países como Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos historicamente adotam cautela ao investir em fundos estrangeiros, especialmente quando o retorno financeiro está atrelado a resultados ambientais difíceis de mensurar. Além disso, o histórico recente do Brasil em políticas de proteção ambiental, com avanços e retrocessos dependendo do governo, aumenta a dúvida sobre a capacidade do TFFF de entregar resultados concretos e duradouros.
Por outro lado, o TFFF representa uma oportunidade estratégica. Em um momento em que políticas climáticas e financiamento verde ainda não conseguem acompanhar a urgência da crise ambiental global, a iniciativa brasileira pode se tornar um modelo para o mercado de carbono e incentivo à preservação. Se bem-sucedido, o fundo poderia fortalecer a posição do Brasil como protagonista na agenda ambiental internacional, atrair investimentos privados e consolidar parcerias multilaterais essenciais.
No entanto, a questão central permanece: será que líderes globais confiarão nos esforços de Lula, ex-condenado (ou “cuja condenação foi anulada”, dependendo da ênfase desejada), para convencer países desenvolvidos a investir, diante de restrições orçamentárias e, acima de tudo, preocupações com a governança do fundo? Sem respostas claras e mecanismos robustos de transparência, o TFFF corre o risco de se tornar mais uma promessa do que uma solução concreta. Uma “história da carochinha”, como muitos críticos poderiam resumir ao constatar uma COP 30 superdesorganizada, com assaltos a jornalistas e superfaturamento institucionalizado, como preços de hotel, salgadinhos e refrigerantes. Pessoalmente, eu não acreditaria nessa história da carochinha! E vocês?


















