COP30 e o agro: descubra como a retórica de sustentabilidade contrasta com a realidade enfrentada pelo setor agrícola brasileiro
COP30 e o agro: entre retórica verde e realidade econômica

A COP30, realizada em Belém, prometia ser um marco para o Brasil. Sede da conferência, o país buscava se apresentar como protagonista da agenda climática, com um discurso de proteção da Amazônia e compromisso com a sustentabilidade. No entanto, como eu havia anunciado, o evento, já denominado FLOP30 (fracasso 30) em vez de COP30, retrata a retórica do governo do ex-condenado Lula e da presidência da COP30, André do Lago, em conflito direto com a realidade prática. Quem paga o preço não são os líderes políticos, mas principalmente o agro brasileiro, sobretudo o nosso setor de proteína animal, motor essencial da balança comercial do nosso país.
No palco, o governo afirma que a Amazônia é “patrimônio da humanidade” e que o Brasil liderará a transição climática global. A promessa de um fundo bilionário para proteção de florestas tropicais — o Tropical Forests Forever Facility (TFFF), que escrevi a respeito no meu artigo anterior — seria a prova de compromisso internacional. Mas, fora dos holofotes, a realidade se mostra outra: exploração de petróleo, flexibilização de licenças ambientais e priorização de imagens sobre ações concretas.
A escolha de Lula e da “primeira-dama” de se hospedar em um iate de luxo durante a COP30, por exemplo, não é apenas simbólica. É a materialização de uma contradição flagrante: enquanto propagam preocupação ambiental global, o consumo de combustível fóssil e a ostentação (como a recepção oferecida aos líderes mundiais presentes, que declinaram o vergonhoso convite) contrastam com a narrativa de redução de emissões. Isso mina a credibilidade do país, algo que importadores internacionais de carne e proteína animal observam atentamente, pois a coerência ambiental é cada vez mais critério de acesso a mercados sofisticados, como União Europeia, Reino Unido e Japão.
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O agro brasileiro, especialmente a produção de carne bovina, suína e de frango, está no centro da economia exportadora. Esses mercados internacionais exigem não apenas volume e qualidade, mas também sustentabilidade comprovada. A incoerência entre discurso político e prática ambiental gera duas consequências imediatas:
- Risco Reputacional: Compradores estrangeiros se tornam céticos quanto à responsabilidade ambiental do Brasil. Em tempos de rastreabilidade e certificação, qualquer sinal de incoerência pode resultar em barreiras não tarifárias, embargos ou exigências de auditorias extras.
- Perda de Competitividade: Enquanto outros países aprimoram práticas sustentáveis, o Brasil se expõe a críticas e pressões que afetam o preço e a penetração de suas proteínas nos mercados mais exigentes. O discurso de “liderança verde” sem base concreta fragiliza negociações comerciais e o posicionamento estratégico do setor.
A COP30 deveria ter sido uma vitrine para o agro brasileiro mostrar que é possível conciliar produtividade, inovação e sustentabilidade. Ao contrário, o evento reforça a percepção de que as decisões políticas continuam desalinhadas com os interesses do setor e com a realidade de produtores sérios que investem em práticas responsáveis todos os dias.
Outro ponto crítico é o tratamento dado às comunidades indígenas. Na terça-feira, dia 11/11, manifestações indígenas em Belém denunciaram e invadiram os espaços da FLOP 30 em contrariedade à instrumentalização política de suas pautas. O governo apresenta essas comunidades como protagonistas da agenda ambiental, mas na prática o que se observa é o uso populista da causa indígena para reforçar a imagem internacional do país. A consequência para o agro é a desconfiança de stakeholders internacionais sobre a seriedade do compromisso brasileiro com direitos e preservação ambiental, e a pressão adicional sobre cadeias de suprimento que dependem de certificação socioambiental.
Se o governo busca credibilidade no exterior, precisa compreender que o mercado global não se impressiona com espetáculo. A sustentabilidade do agro brasileiro é avaliada por resultados concretos — preservação de biomas, respeito a legislações ambientais, rastreabilidade de produtos — e não por discursos ou fotos em palcos internacionais.
Retornando à “cereja dos olhos” de Haddad e do ex-condenado, o Tropical Forests Forever Facility (TFFF), o fundo climático bilionário anunciado pelo governo, ilustra outra contradição: enquanto o Brasil promete a proteção global das florestas, nenhuma grande nação internacional se comprometeu efetivamente com aportes financeiros. Sem financiamento seguro, a iniciativa corre o risco de ser apenas mais uma vitrine de retórica verde. Para o setor de proteína animal, isso significa que qualquer narrativa de sustentabilidade ligada ao Brasil ainda depende de confirmação externa, aumentando incertezas em mercados críticos.
Como profissional do agro há muitas décadas, vejo com preocupação que a COP30, em vez de fortalecer o Brasil, evidencia as fragilidades da condução política do governo do ex-condenado Lula e de sua equipe de sustentabilidade. O setor de proteína animal, responsável por bilhões em exportação e milhares de empregos, é quem sofre o impacto direto: barreiras comerciais, desconfiança de compradores e prejuízos à imagem internacional.
O agro brasileiro não precisa de palanque político. Precisa de coerência, previsibilidade e políticas que realmente conciliem produtividade com preservação ambiental. Enquanto discursos e práticas caminharem em direções opostas, o preço será alto — para o governo, sim, mas sobretudo para o setor que sustenta a economia do país.
O Brasil tem tudo para ser referência global em agro sustentável, mas só se houver ação concreta, transparência e respeito às regras internacionais. Até lá, FLOP30 servirá mais para fotos e promessas do que para resultados reais — e o agro, como sempre, continuará, infelizmente, pagando a conta. Não digam que eu não avisei.
Por Jogi Humberto Oshiai, CBO da Melo Advogados, M4 Capital e Diretor da Oshiai Consultoria e Assessoria Ltda, diretamente de Bruxelas, capital da União Europeia.





















