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Simpósio Brasil Sul

Micotoxinas em ovos e seu impacto na qualidade dos pintos são alguns dos temas do evento.

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Redação (07/03/06) – A programação do VII Simpósio Brasil Sul de Avicultura, agendado para os dias 4 a 6 de abril, em Chapecó, no Bristol Lang Palace Hotel, numa promoção do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários prevê a palestra “Micotoxinas em ovos e seu impacto na qualidade dos pintos” que será abordada pelo professor da Universidade Federal de Santa Maria, Jânio Santúrio, na quarta-feira, 5, das 8h30 às 9h30.

A presença de micotoxinas em grãos e rações está sujeita à influência de fatores ambientais como umidade, temperatura ambiente, métodos de processamento, produção e armazenamento. Aflatoxinas são metabólitos secundários produzidos por cepas de fungos do gênero Aspergillus. Estas toxinas são responsáveis por grandes prejuízos à indústria avícola, através de seus efeitos negativos sobre o desempenho das aves, explica Jânio Santúrio.

São extremamente tóxicas para as aves por sua rápida absorção pelo trato gastrointestinal, que é evidenciada através de seu aparecimento na corrente sangüínea imediatamente após a ingestão da micotoxina. Uma vez absorvida, a aflatoxina B1 é imediatamente ligada de forma irreversível à albumina sangüínea e, em menor escala, à outras proteínas. Formas de aflatoxinas ligadas ou não à proteínas séricas espalham-se pelos tecidos, especialmente o fígado.

Após depositadas no fígado, as Aflatoxinas são biotransformadas pelo sistema microssomal hepático em metabólitos muito tóxicos, como AFL B2a e 2,3 – Epóxido de Aflatoxina. Esses metabólitos têm a habilidade de se ligar de forma covalente com constituintes intracelulares, incluindo DNA e RNA, alterando a síntese de proteínas no tecido hepático. A ligação de Aflatoxina com proteínas provoca mau funcionamento do fígado, levando a uma profunda alteração nas propriedades funcionais e na síntese das proteínas das aves.

Os efeitos primários da aflatoxicose podem ser utilizados como indicativo para diagnóstico clínico da doença. A primeira mudança é alteração no tamanho dos órgãos como fígado, baço, rins, bursa e timo, além de alterações na coloração e textura. Em surtos de aflatoxicose no campo, uma das características mais marcantes é a má absorção que manifesta-se com excretas com partículas de ração mal digeridas. Esta má absorção diminui a eficiência de conversão alimentar e, conseqüentemente, aumenta o custo da produção.

Observa-se, ainda, em frangos e poedeiras que receberam AFL, extrema palidez das mucosas e pernas. Essa pigmentação deficiente ocorre devido a menor absorção dos carotenóides da dieta e conseqüente redução destes nos tecidos.

A Aflatoxina B1 (AFB1) pode ser depositada tanto na gema quanto no albúmem. Encontra-se Aflatoxina B1 nos ovos 24 horas após o início do consumo de ração contaminada. Portanto, é necessário salientar que, enquanto o índice de postura é afetado somente oito dias após o início da intoxicação, a eclodibilidade começa a ser afetada 24 horas após o início do consumo.

Com base nos resultados obtidos pode-se concluir que os pintos provenientes de matrizes intoxicadas com aflatoxinas apresentaram menor qualidade, refletindo-se em um menor peso corporal aos sete dias de idade. A mortalidade de pintos aos sete e 21 dias de idade apresentou uma relação direta e linear com os níveis crescentes de AFL fornecidas às matrizes de corte.

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