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Problemas no Mato Grosso

SFA e Indea confirmam casos de estomatite vesicular em suínos e bovinos no Estado.

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Redação (13/02/2008)- Mato Grosso está impedido de produzir e certificar carne bovina in natura para a Rússia. A Superintendência Federal da Agricultura (SFA/MT) e o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea/MT) confirmaram ontem, durante uma coletiva à Imprensa, a existência da estomatite vesicular, uma doença viral identificada em dois bovinos e um suíno pertencentes a duas propriedades de pequeno porte do município de Cocalinho (923 km a Leste de Cuiabá). Os sintomas da enfermidade se assemelham aos da febre aftosa, mas sem a necessidade de abate, pois a doença e o vírus desaparecem em 21 dias. Focos não eram registrados no Mato Grosso há mais de uma década.

A interrupção das exportações, como explica o superintendente em exercício da SFA/MT, Plínio Lopes, é automática, uma vez que o Estado fica impossibilitado de certificar o seu rebanho contra a doença. "O não envio foi determinado pelo Brasil, já que existe no acordo sanitário internacional entre Brasil e Rússia, uma cláusula que prevê a suspensão imediata dos embarques de carne in natura em casos de constatação desta doença. Seguindo esta norma, o rebanho estadual fica impedido de ter sua carne consumida pelos russos por doze meses".

O superintendente destaca, ainda, que a confirmação da doença não viola o status sanitário do Estado e nem das 11 plantas habilitadas àquele mercado. "O frigorífico habilitado pode abater bois oriundos de outros Estados aqui dentro. O que não pode é o envio de carne do nosso rebanho, mesmo que a região focal esteja a quase mil quilômetros de Cuiabá, por exemplo". A SFA/MT está coletando informações para mensurar o volume de cargas com origem de Mato Grosso que estariam a caminho da Rússia, tanto nos portos do país quanto em navios.

O presidente do Indea/MT, Décio Coutinho, explica que o órgão recebeu a notificação no dia 29 de janeiro e, no dia seguinte, as duas propriedades receberam visita de técnicos; no dia 31, houve a coleta de amostras dos animais, que no mesmo dia seguiram em mãos para análise em Belém. No dia 1° de fevereiro, o diagnóstico foi confirmado e, no dia 2, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou o governo russo da doença.

Lopes explica que toda a carga com data do dia 2 para frente está impedida de entrar na Rússia e que os carregamentos deverão passar por um recall, ou seja, devolvidos às plantas para redirecionamento de mercado consumidor.

Coutinho conta que as propriedades receberam e recebem ações que são exigidas pelo código zoo-sanitário internacional e que o sacrifício não é uma exigência. As propriedades de Cocalinho são como chácaras: uma delas tem 1,5 hectare e estão a cerca de 500 metros de distância uma da outra. "São chácaras próximas à cidade e a maior delas tem sete animais e a outra uma criação doméstica de suínos", completa Coutinho. Tanto as vacas infectadas como o suíno são fêmeas.

Conforme o Indea/MT, Cocalinho é um importante produtor de bovinos, principalmente de corte. Existem no município 351 propriedades e 371,13 mil cabeças bovinas. Coutinho esclarece que a suspensão não vale para os suínos porque a produção estadual é oriunda de granjas certificadas, assim como ocorre com as aves.

A DOENÇA – Lopes explica que a doença vesicular acomete bovinos, caprinos, ovinos, suínos, eqüinos e animais silvestres e causa lesões na boca, tetas e casco e se assemelha muito à febre aftosa. É causada por um vírus do gênero Vesiculovirus, da família Rhabdoviridae. O superintendente destaca que a estomatite não tem a mesma agressividade da aftosa no rebanho. "Enquanto ela se cura sozinha no animal, após 21 dias, o vírus da aftosa dura no organismo e no ambiente por dois anos". As propriedades estão interditadas e a transmissão ocorre por contato direto e através de picadas de insetos.

A investigação sobre a chegada da doença ao rebanho estadual ainda prossegue e ainda nenhuma hipótese para a contaminação foi aventada. Os casos mais recentes da doença foram registrados em Goiás em 2006 e na Bahia, no ano passado. "Apesar do impedimento russo, a estomatite está propagada no mundo e apenas existe restrição a ela no acordo celebrado em Brasil e Rússia. Nenhum outro lugar faz menção comercial à doença".

SITUAÇÃO – Judi explica que até a ocorrência da estomatite, apenas duas plantas no Estado estavam com as exportações suspensas àquele país, que são Friboi, em Cáceres e o Intercoop, em Nova Mutum. O último embargo foi decretado após a ocorrência de casos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná, em outubro de 2005.

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