Segundo ele, a discussão desse tema é um debate econômico, e não político.
Doha pode ser prolongada devido a biocombustíveis, diz ex-ministro
Redação (24/04/2008)- A Rodada Doha de liberalização do comércio mundial pode se prolongar ainda mais devido às divergências em relação aos biocombustíveis, disse nesta quinta feira o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Segundo ele, a discussão desse tema é um debate econômico, e não político. "Doha pode ser prolongada. O principal motivo para isso é a falta de uma estratégia global para os biocombustíveis", disse o ex-ministro, em seminário sobre perspectivas para a economia brasileira, em São Paulo. Para Rodrigues, alguns agentes econômicos utilizam o argumento da inflação nos preços dos alimentos para atrasar o avanço no setor de biocombustíveis e esconder interesses próprios. "Só usam esse argumento para nos atacar." Rodrigues afirmou que os biocombustíveis podem mudar o "paradigma agrícola". "O desenvolvimento do biocombustível precisa de uma série de qualidades, como terra fértil, mão-de-obra qualificada, sol e capital. Regiões como a América Latina e a África têm quase todas essas qualidades, menos o capital", disse Rodrigues. "Há uma efervescência por causa disso." A Rodada Doha, iniciada em 2001, deveria ter sido concluída antes do final de 2004, mas as divergências entre os países mais desenvolvidos e as nações do sul do planeta relacionadas aos temas agricultura, bens industriais e serviços impediram um acordo. Nos últimos dias, no entanto, foram registrados avanços, e o Brasil também afirmou que um acordo básico poderia ser aprovado em uma reunião ministerial em Genebra (Suíça) no mês de maio. Existe um "documento básico, que ainda contém frases entre parênteses, e por isso, passíveis de modificações, que poderá ser apoiado em um encontro ministerial, possivelmente no dia 19 de maio", disse na terça-feira Carlos Márcio Bicalho, chefe do Departamento Econômico da chancelaria brasileira. FMI Nesta semana, o diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que a conclusão da Rodada Doha, que discute as negociações no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio), permitirá lutar contra o encarecimento dos produtos agrícolas. "Não se pode esquecer que, para alimentar sua população os Estados dependem da liberdade de comercializar. Mas já estamos vendo que algumas decisões tomadas em nível nacional, como a de limitar a exportação de produtos alimentícios, tem efeitos devastadores em nível mundial", escreve o diretor do FMI em um artigo publicado nesta segunda-feira no diário financeiro britânico "Financial Times" ("FT"). "Levar Doha a um bom termo representaria uma ajuda de capital já que reduziria as barreiras alfandegárias e as distorções de competição e favoreceria o comércio agrícola", acrescenta Strauss-Kahn. Um dos entraves das negociações de Doha, que são realizadas junto à OMC, diz respeito justamente à liberalização dos intercâmbios agrícolas. Os países pobres querem que os ricos eliminem os subsídios a seus produtores, e os ricos querem que os pobres derrubem as tarifas de produtos industrializados. Para contra-atacar a disparada dos preços dos produtos agrícolas, que ameaça a estabilidade dos países pobres, o Banco Mundial convocou um esforço concertado e em escala internacional em sua assembléia de 12 e 13 de abril em Washington. A duplicação dos preços dos alimentos nos últimos três anos ameaça com submergir mais profundamente na pobreza quase 100 milhões de africanos de baixos rendimentos, afirma o Banco Mundial, que propôs a implementação de uma política tão ambiciosa como o "New Deal" do presidente Franklin Delano Roosevelt depois da crise de 1929. Leia também no Agrimídia:




















