A esclerotínia doença fúngica que afeta a soja já causa prejuízos na região e reduz as expectativas iniciais dos produtores com relação à produtividade da oleaginosa.
Doença da soja causa prejuízos de R$ 47 milhões na região dos Campos Gerais
Redação (25/04/2008)- Com área cultivada de 423 mil hectares na região dos Campos Gerais, a expectativa inicial com relação à produção era de aproximadamente 1,38 milhão de toneladas, com rendimento médio aproximado de 3,25 a 3,30 mil quilos por hectare, mas, por enquanto, os resultados já são inferiores aos estimados. Cerca de 70% da área cultivada já foi colhida na região.
Segundo o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), José Roberto Tosato, as perspectivas iniciais de produção e produtividade não estão se confirmando, devido às condições climáticas desfavoráveis no mês de janeiro, com períodos de frio, que interferiram negativamente no desenvolvimento vegetativo da oleaginosa e favoreceram o aparecimento de doenças fúngicas de difícil combate, como a esclerotínia. Numa proporção menor, conforme Tosato, também apareceu a ferrugem asiática.
Em função da esclerotínia o rendimento médio da soja diminuiu em torno de 5 a 10%, podendo chegar a 15% dependendo da lavoura. Com isso a perspectiva inicial de rendimento médio caiu para 3,10 mil a 3,15 mil quilos por hectare. Se for considerada uma redução de 150 quilos por hectare – que equivale a duas sacas e meia – as perdas são de aproximadamente R$ 110 a R$ 115 por hectare, o que representa perdas de cerca de R$ 47 a R$ 50 milhões com o cultivo da soja.
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Apesar de haver um controle preventivo por parte dos produtores, as condições climáticas desfavoráveis, no mês de janeiro, acabaram contribuindo para o avanço da doença. Além disso, Tosato comenta que as chuvas registradas nos últimos nove dias na região dos Campos Gerais podem trazer resultados ainda mais negativos para os produtores. “Temos que avaliar se haverá condições para que o produtor possa utilizar a semente ‘salva’ para a próxima safra, devido a perda de qualidade e germinação do grão”, alega.
Propriedades foram afetadas
Segundo o engenheiro agrônomo da Cooperativa Agrícola Mista de Ponta Grossa (Coopagrícola), Alyson Domingos Valentin, aproximadamente 70 a 80% das propriedades atendidas pela Cooperativa foram atingidas pela esclerotínia. Problemas radiculares também afetaram a produtividade da oleaginosa.
O engenheiro comenta que a programação de cultivo da oleaginosa para a safra 2007/08 previa seca, e em função disso, foi cultivada uma quantidade maior de soja, aproximando, desta forma, uma planta da outra, o que acabou favorecendo o ambiente úmido para a infestação da esclerotínia. “A doença atingiu todas as variedades de soja, sem distinção”, finaliza. Em uma das cooperativas da região o rendimento médio inicial previsto era de 3,25 mil quilos por hectare, mas com a contaminação da esclerotínia, essa expectativa caiu para 2,80 mil quilos por hectare. O impacto da doença na soja será avaliado mais profundamente com o fim da colheita, pois ainda falta colher 25% da lavoura na região dos Campos Gerais.




















