O índice Baltic Dry voltou a apresentar forte alta na sexta-feira.
Fretes marítimos de commodities disparam 50%
Redação (09/02/2009)- O índice Baltic Dry, referencial dos custos de frete de commodities secas a granel, como minério de ferro, carvão e grãos, voltou a apresentar forte alta na sexta-feira e acumulou avanço superior a 50% na semana passada, em meio aos sinais de recuperação das importações chinesas de minério de ferro.
O indicador londrino subiu 9,6% na sexta-feira, para os 1.642 pontos, maior nível em quase quatro meses e mais que o dobro da mínima de 663 pontos verificada em 22 de dezembro. Na semana, o índice subiu 53,5%. Alguns operadores de fretes marítimos disseram que a recuperação foi puxada pela melhora na demanda chinesa por minério de ferro. Alertaram, no entanto, que se trata mais de uma correção dos preços em relação à profunda queda vista de outubro a dezembro, do que um sinal de que o mundo emerge da crise econômica e financeira.
Apesar do notável aumento da semana passada – só na quarta-feira, a alta foi quase 15%, maior valorização diária desde 1985 – o Baltic Dry ainda está bem abaixo do recorde de 11.793 pontos, atingido em 2008. O índice possui um histórico de oscilações acentuadas, com o que os operadores mostraram-se extremamente cautelosos, ressaltando que o avanço não é prelúdio do fim das aflições da economia.
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No curto prazo, executivos de mineradoras e operadoras acreditam que haverá sinais de maior demanda por fretes, particularmente das grandes embarcações do tipo Capesize, demasiado grandes para passarem pelos principais canais mundiais, à medida que as siderúrgicas chinesas voltarem ao mercado depois de esgotarem seus estoques de minério de ferro, que em setembro e outubro estavam em patamares recorde.
Peter Norfolk, chefe de pesquisa da operadora londrina de fretes marítimos Simpson Spence & Young, afirmou que houve alta nos fretes saindo do Brasil e, em menor grau, da Austrália, para portos chineses. "Há aperto na disponibilidade de tonelagem no curto prazo".
Marius Kloppers, presidente da BHP Billiton, uma das três maiores mineradoras mundiais de ferro, afirmou na semana passada que siderúrgicas chinesas estavam "voltando ao mercado e comprando".
Os preços do minério à vista na China subiram 5% na semana passada, para US$ 85,4 por tonelada, maior patamar desde outubro e 33% a mais do que os US$ 63,5 por tonelada do fim do ano passado.
Alan Heap, especialista em commodity no Citigroup, em Sydney, afirmou que os declínios "catastróficos na demanda" vistos no quarto trimestre foram "amplificados" pelo uso dos estoques. "Os estoques portuários [de minério de ferro] na China estão cerca de 20% mais baixos do que nos picos de setembro".





















