Comércio varejista se recupera aos poucos dos efeitos da crise financeira internacional e já opera com nível superior.
Crescimento das vendas
O comércio varejista se recuperou aos poucos dos efeitos da crise financeira internacional e já operou, em julho, com nível de vendas superior ao observado antes do agravamento da turbulência econômica, há um ano.
Em julho, o crescimento de 0,5% frente ao mês anterior – o terceiro seguido nesta comparação – foi suficiente para levar o patamar de vendas, medido pelo índice de base fixa, ao ponto máximo da série, iniciada em 2001.
“No terceiro trimestre do ano passado o comércio sentiu a crise e tivemos uma redução do nível de vendas. Agora, com os incentivos do governo e o desempenho do mercado interno, já estamos até um pouco acima do patamar do início da crise”, destacou Reinaldo Pereira, economista da coordenação de serviços e comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O comércio, aqui no Brasil, não se ressentiu muito com a crise financeira”, acrescentou.
Leia também no Agrimídia:
- •Sem luz na infância, hoje à frente de um império de R$ 2,4 bilhões: a mulher que comanda gigante da carne suína em Santa Catarina
- •Fórum Estadual de Influenza Aviária reúne setor avícola para discutir prevenção e biosseguridade no RS
- •Conflito no Oriente Médio pressiona custos e ameaça rotas do comércio global de frango
- •Peste Suína Africana avança na Catalunha e acende alerta sanitário em Barcelona
Nilo Lopes de Macedo, também economista da coordenação de serviços e comércio, ressaltou que, sem a crise, o nível de vendas poderia estar ainda maior, embora as modestas altas na margem observadas no volume de vendas este ano tenham sido suficientes para recuperar o nível pré-crise.
“O comércio não perdeu com a crise, mas deixou de ganhar”, afirmou Macedo.
Reinaldo Pereira ponderou que a alta de 0,5% no volume de vendas de julho mostra uma acomodação em relação a junho, quando o crescimento atingiu 1,7% na comparação com o mês imediatamente anterior.
Entre as principais quedas observadas no volume de vendas em julho, destaque para equipamentos de informática e material para escritório, informática e comunicação, com recuo de 4,2%, depois de um avanço de 14,3% em junho. Outra queda forte ficou com tecidos, vestuário e calçados, com baixa de 3,9%, contra alta de 10,1% em junho.
Já o varejo ampliado, puxado pelo mau desempenho de veículos, viu o volume de vendas encolher 6% em julho, na comparação com junho.
Pereira revelou que o tombo, em junho o varejo ampliado havia subido 7,1%, pode estar diretamente ligado ao temor de que a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis acabasse em junho. Com isso, o grupo veículos e motos, partes e peças, que havia vendido em junho um volume 9,3% superior ao de maio, caiu 10,4% em julho, arrastando o varejo ampliado, que teve a primeira queda desde os -3,8% de abril.
“Pode ter acontecido antecipação por conta de as pessoas acharem que não teria mais o incentivo do IPI. Como (o veículo) foi comprado no mês anterior, esse mês veio com queda”, disse Pereira, que não descartou a possibilidade de que já exista no horizonte uma limitação aos efeitos da política de desoneração. “Outra hipótese é o esgotamento da política, porque as pessoas não vão comprar carros indefinidamente”, acrescentou.
O economista frisou ainda o crescimento de 5,9% das vendas varejistas na comparação com julho do ano passado. Apesar de o resultado ter sido o pior para um mês de julho desde os 2,3% de 2006, Pereira lembrou que a base de comparação é alta, com um período anterior a crise em que as vendas subiam para níveis recorde.
“Estamos num momento bom. Recuperamos o nível pré-crise e, como a tendência da economia é de crescimento, visto os resultados recentes, a tendência do comércio é melhorar, é crescer”, destacou.





















