Apesar do prejuízo que podem trazer, as micotoxinas são tratadas com certo desprezo pelas indústrias produtoras de animais e alimentos. Falta de controle pode resultar em risco à saúde humana e animal. Tema foi debatido em evento promovido pelo Laboratório Eurofins e Romer Labs.
Descaso político
Redação (30/07/2008)- As micotoxinas são substâncias químicas tóxicas produzidas por fungos, que podem se desenvolver livremente no meio-ambiente se não detectados e analisados de forma correta. Seu controle, afirmam especialistas, por falta de interesse político, ainda não possui legislação adequada no Brasil. Atualmente, a lei vigente prioriza apenas as aflatoxinas, grupo de compostos tóxicos mais estudado pelos pesquisadores brasileiros. Tendo em vista este entrave, o laboratório de análises de alimentos Eurofins e o fabricante de suprimentos para laboratórios e testes rápidos para recebimento de matérias-primas Romer Labs realizaram no dia 24 de julho, em Indaiatuba (SP), um seminário sobre o assunto com o tema “Controle de Micotoxinas”. Cerca de 100 pessoas acompanharam as seis palestras que debateram temas como a crescente demanda por insumos agrícolas e a maior coordenação da cadeia de suprimentos em relação aos resíduos químicos e biológicos. “Nosso objetivo foi discutir com representantes do segmento da indústria de alimentação humana e animal os riscos e prejuízos causados pelas micotoxinas. Esse ainda é um problema que encontra dificuldade para ser solucionado no Brasil”, disse Pablo Molloy, gerente geral da Eurofins.
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Carlos Sacchi (Romer Labs), Pablo Molloy (Eurofins) e Gerald Gutscher (Romer Labs), durante evento sobre o controle de micotoxnas |
Ações como o investimento na monitoração de micotoxinas durante o armazenamento de grãos (milho, soja, amendoim, etc.) e a fiscalização do produto final também foram discutidas durante o evento. Para Molloy, a abordagem do tema é fundamental. Com consumidores cada vez mais atentos e exigentes, argumenta, tanto empresas do setor de ração animal, como as empresas do setor alimentício, têm que necessariamente reforçar seus investimentos no estudo e monitoramento das micotoxinas, a fim de evitar riscos à saúde e também agregar mais qualidade ao produto que colocam no mercado.
Rosineide Simas, gerente de Serviços Técnicos da Eurofins , explica que cerca de 300 tipos de micotoxinas são conhecidos atualmente. Destes, apenas 15 são tidos como de maior importância para as indústrias de alimentação animal e humana. O Brasil apresenta legislação forte apenas para o grupo das aflatoxinas. Atenta a esse problema, a profissional aponta falhas no sistema brasileiro, que interliga o monitoramento ineficiente com a falta de alimento. “O Brasil não investe na monitoração das micotoxinas alegando que tamanha rigorosidade poderia prejudicar a produção de alimentos. A afirmação não tem fundamento, pois a Europa impõe limites de resíduos químicos e biológicos na produção de grãos e ninguém passa fome”, afirma.
“Isso não é virose” – De acordo com Rosineide, algumas pessoas que passam mal após uma refeição acabam procurando um médico que pode diagnosticar um caso de virose, quando, na verdade, a causa pode ser a ingestão de micotoxinas.
“A micotoxina é um contaminante natural e se não houver empenho no desenvolvimento de uma metodologia específica, o problema não é diagnosticado”, afirma. “O milho e a soja contaminada, que podem servir de matéria-prima para produção de ração, podem contaminar a carne de frango ou suína, e, por conseqüência, contaminar a pessoa que comer esta carne”, completa.
Segundo a especialista, as micotoxinas, quando ingeridas em grande quantidade representam grande risco à saúde humana, pois são teratogênicas e cancerígenas, ou seja, comprometem o desenvolvimento natural de órgãos e sistemas do indivíduo contaminado e pode causar câncer.





















