Bloqueio marítimo compromete fornecimento de ração e interrompe produção de frango em granjas de menor porte
Crise logística no Estreito de Ormuz pressiona avicultura e ameaça abastecimento nos Emirados Árabes Unidos

O bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz tem provocado impactos diretos na cadeia de produção de frango nos Emirados Árabes Unidos, com destaque para a escassez de ração e a paralisação de atividades em granjas avícolas. A situação afeta principalmente produtores de pequeno e médio porte, que possuem menor capacidade de armazenamento e maior dependência de insumos importados.
Regiões como Sharjah e Ras Al Khaimah concentram os maiores impactos, elevando preocupações relacionadas à segurança alimentar. Embora parte das cargas esteja sendo redirecionada por rotas alternativas, os custos logísticos mais elevados e os atrasos nas entregas têm limitado a efetividade dessas medidas.
Alta nos custos e redução da oferta pressionam produtores
A escassez de ração tem resultado em aumento expressivo dos preços no mercado interno, ao mesmo tempo em que os volumes disponíveis se mostram insuficientes para garantir o ciclo completo de produção até o peso ideal de abate. Nesse cenário, pequenas granjas, especialmente aquelas sem produção própria de insumos, enfrentam maior vulnerabilidade operacional.
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Relatos do setor indicam que algumas propriedades já suspenderam a produção, enquanto outras operam com capacidade reduzida. A tendência, segundo avaliações do mercado, é de maior concentração da atividade em grandes empresas, que dispõem de maior estrutura logística e capacidade de absorver oscilações de custo.
Dependência de importações amplia riscos ao agronegócio local
Apesar da expansão recente da produção interna, a avicultura nos Emirados Árabes Unidos ainda depende fortemente do mercado externo para suprir a demanda. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que, em 2025, a produção local de carne de frango cresceu 17%, alcançando entre 70 mil e 75 mil toneladas.
Ainda assim, cerca de 70% a 75% do consumo nacional é atendido por importações. O Brasil permanece como principal fornecedor, com exportações estimadas em aproximadamente 400 mil toneladas no período, seguido pela África do Sul e outros mercados internacionais.
Fatores estruturais, como a limitação de terras agrícolas e a escassez hídrica, reforçam a dependência do país por grãos e insumos vindos do exterior, tornando a cadeia avícola sensível a interrupções logísticas em rotas estratégicas.
Exportadores reavaliam estratégias diante da instabilidade
Diante das incertezas no fluxo comercial, países exportadores também começam a ajustar suas estratégias. A indústria avícola da África do Sul, por exemplo, avalia redirecionar parte da produção destinada aos Emirados Árabes Unidos para o mercado interno ou outros destinos.
Segundo representantes do setor, volumes que não puderem ser embarcados poderão ser comercializados como frango congelado ou produtos processados, evitando perdas. O movimento reflete a necessidade de adaptação frente às restrições logísticas impostas pela instabilidade geopolítica na região.
A continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz tende a manter a pressão sobre custos, oferta e competitividade na avicultura global, com reflexos diretos tanto para produtores quanto para países dependentes de importações no Oriente Médio.
Referência: Poultry World





















